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Delegado indicia responsáveis por atingir cinegrafista

14 fev 2014
22h22
atualizado às 22h23
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O delegado Maurício Luciano, titular da 17ª Delegacia de Polícia, responsável pelas investigações sobre a morte do cinegrafista Santiago Andrade, entregou hoje (14) o inquérito ao Ministério Público (MP). O delegado indiciou os jovens Fábio Raposo e Caio Silva de Souza por homicídio com dolo eventual.

"O dolo eventual é quando a pessoa prevê um resultado, sabe que pode causar um determinado dano, mas ainda assim concorda em acontecer o dano. Prossegue, mesmo sabendo que pode ocorrer um dano. Eles sabiam que a deflagração daquele artefato, em um local com multidão, poderia causar um resultado letal, como acabou ocorrendo. E, mesmo assim, eles assumiram o risco de produzir. No dolo eventual não se tem intenção direta de matar, mas se assume o risco de produzir isso", explicou o titular da 17ª DP.

O delegado comentou ainda o depoimento prestado ontem (13) por Caio de Souza, no presídio, sem a presença de um advogado. "Ele não foi pressionado. Pediu para falar. Talvez ele tenha querido falar longe do advogado", sustentou.

Luciano entregou o inquérito, com 175 páginas, à promotora Vera Regina de Almeida, da 8ª Promotoria de Investigação Penal. O delegado chegou ao MP às 15h e deixou o prédio pouco antes das 17h.

A promotora que recebeu o inquérito tem prazo de cinco dias úteis para oferecer a denúncia à Justiça ou pedir novas diligências ao delegado.

Atingido em protesto, cinegrafista tem morte cerebral
O cinegrafista Santiago Andrade foi atingido na cabeça por um rojão durante a cobertura de um protesto contra o aumento das passagens de ônibus no Centro do Rio de Janeiro, no dia 6 de fevereiro. Além dele, outras seis pessoas ficaram feridas na mesma manifestação.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, o cinegrafista chegou em coma ao hospital municipal Souza Aguiar. Ele sofreu afundamento do crânio, perdeu parte da orelha esquerda e passou por cirurgia no setor de neurologia. A morte encefálica foi informada pela secretaria no início da tarde de 10 de fevereiro, após ser diagnosticada pela equipe de neurocirurgia do hospital onde ele estava internado no Centro de Terapia Intensiva.

O tatuador Fábio Raposo confessou à polícia ter participado da explosão do rojão que atingiu Santiago. Ele foi preso na manhã de domingo em cumprimento a um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça. O delegado Maurício Luciano, titular da 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão) e responsável pelas investigações, disse que Fábio já foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado e crime de explosão e que a pena pode chegar a 35 anos de reclusão.

Raposo ajudou a polícia a reconhecer um segundo responsável pelo disparo do artefato que causou a morte do cinegrafista. O tatuador, preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro, afirmou, de acordo com o relato do delegado, que “eles se encontravam em manifestações" e que "esse rapaz tem perfil violento”.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou, na manhã do dia 11, uma foto do suspeito de ter acendido o rojão que atingiu Santiago Andrade. Caio Silva de Souza, 23 anos, tem duas passagens pela polícia e era considerado foragido desde que foi expedido um mandado de prisão temporária em seu nome. Fábio Raposo, que passou o rojão, reconheceu o autor do disparo a partir da imagem levada pelo delegado.

Procurado por homicídio doloso qualificado – quando há intenção de matar – por uso de artefato explosivo e pelo crime de explosão, o suspeito foi preso na madrugada de 12 de fevereiro em uma pousada na cidade de Feira de Santana, na Bahia. De acordo com o advogado Jonas Tadeu Nunes, que também defende Fábio Raposo, Caio Silva de Souza seguia em direção ao Ceará, para a casa de um avô, mas foi convencido a se entregar. Ele não reagiu ao ser preso.

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Agência Brasil Agência Brasil
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