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Atuação política de Marielle motivou crime, diz delegado

Diretor da Divisão de Homicídios falou sobre o caso em evento no Rio

27 ago 2018
19h48
atualizado às 19h59
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O delegado e diretor da Divisão de Homicídios, Fábio Cardoso, disse nesta segunda-feira (27) que o assassinato de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, "está envolvido com a atuação política" da vereadora.

"A linha principal aponta que o homicídio da Marielle foi em razão de alguma atuação como parlamentar, na vida profissional dela. Isso já está bem claro. Os executores foram muito profissionais, mas temos que encontrar também os mandantes", afirmou.

A declaração foi dada no evento O Parlamento sem Marielle, durante a 13ª Reunião do Fórum Permanente de Segurança Pública e Execuções Penais, promovido pela Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj).

Morte da vereadora foi motivada pela atuação política, segundo o delegado
Morte da vereadora foi motivada pela atuação política, segundo o delegado
Foto: BBC News Brasil

Cardoso disse também que todas as linhas de investigação que surgiram no início foram checadas, em uma investigação técnica, "para não correr o risco de cometer erros". "Chegaram muitas informações de linhas de investigação e a gente não pode, simplesmente, descartar por achar que não é. A gente tem que investigar, e muitas delas foram exauridas e já foram descartadas, com relação a questões pessoais de Marielle", informou.

Segundo o delegado, já está provado que a morte de Anderson Gomes foi um "efeito colateral", por ter ficado na linha de tiro do alvo principal, que era Marielle. "O tiro foi na diagonal, os autores sabiam que ela estava sentada na parte traseira direita do carro, tinha insulfilme e eles sabiam que ela estava ali".

O diretor da Divisão de Homicídios ainda declarou que as investigações estão progredindo, mas o prazo para encerrá-las ainda é incerto. As declarações sobre o caso vão de encontro com o discurso do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann.

"O ministro Jungmann disse várias vezes que foi um crime político. Se foi, toda a sociedade tem interesse em saber. Se é um crime político, é em razão das atividades que ela desempenhava", ressaltou o desembargador Alcides da Fonseca, promotor do evento.

A vereadora foi executada no dia 14 de março, em uma emboscada no bairro do Estácio, zona central da cidade, quando também morreu o motorista Anderson Gomes. Já se passaram mais de cinco meses e ainda não há uma resposta para o crime.

Ansa - Brasil   
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