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Polícia

Delegado aponta Mizael como autor; defesa e promotoria se acusam

No segundo dia do julgamento do Caso Mércia, delegado afirmou que "não tem dúvida nenhuma que Mizael matou Mércia"

13 mar 2013 - 23h55
(atualizado em 13/3/2013 às 00h00)
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Mizael aguarda o início de seu julgamento pela morte da ex-namorada Mércia
Mizael aguarda o início de seu julgamento pela morte da ex-namorada Mércia
Foto: Fernando Borges / Terra

No segundo dia do julgamento de Mizael Bispo de Souza, 43 anos, acusado pela morte da ex-namorada Mércia Nakashima em maio de 2010, o delegado responsável pela investigação do crime - que compareceu ao Fórum de Guarulhos  como testemunha de acusação - apontou o réu como o responsável pela morte da vítima, enquanto defesa a defesa a a promotoria se acusaram mutuamente de mentir durante o julgamento. Mizael foi defendido por uma corretora de imóveis que conhecia o casal e disse que, todas as vezes que viu os dois juntos, ele foi sempre cordial com ela, enquanto um investigador que analisou os telefones utilizados por Mizael o colocou no trajeto que a vítima teria percorrido até ser morta.

Veja detalhes do caso Mércia 

Veja como funciona o tribunal do júri

O delegado Antonio de Olim, que coordenou a investigação sobre o assassinato da advogada Mércia Nakashima, disse nesta terça-feira não ter dúvidas de que o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza matou a ex-namorada, em 23 de maio de 2010. "Eu não tenho dúvida nenhuma que o Mizael matou a Mércia", afirmou o delegado, ao ser indagado pela acusação sobre a conclusão do inquérito. "Essa investigação foi toda técnica", completou.

Durante três horas, o delegado respondeu às perguntas do promotor Rodrigo Merli, responsável pela acusação, detalhando a ligação entre Mizael e o vigilante Evandro Bezerra Silva, acusado de ter sido cúmplice do crime e tê-lo ajudado na fuga. Ainda de acordo com Olim, o ex-PM e o vigia passaram o dia do crime no "encalço" da vítima, se falaram 16 vezes por telefone, e rodearam a região da casa dos avós de Mércia, onde ela foi vista pela última vez antes de morrer.

O delegado ainda negou que o vigilante, acusado de ter ajudado Mizael, tenha sofrido qualquer tipo de tortura para confessar a participação - o vigia confirmou ter buscado o ex-PM em Nazaré Paulista (interior de São Paulo), onde o corpo da advogada foi encontrado em uma represa, mas sempre negou participação no crime.

"(Evandro) Ele fala que foi torturado lá. Eu cheguei lá, fiz IML (exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal) com ele, e não tinha nada. Ele falou na boa tudo. (...) Não tinha porquê (torturar). Nós tínhamos todas as provas na mão, sabíamos tudo o que ele fez naquele dia 23. Telefone não anda sozinho. (...) Então nós só mostramos (as provas) e ele começou a contar tudo. Contou até onde era conveniente para ele", disse o delegado, em referência ao rastreamento das ligações telefônicas feitas entre Evandro e Mizael no dia do crime, captado pelas antenas da região.

Investigador contradiz Mizael em questionamento de promotor:

A mesma versão foi dada pelo advogado Arles Gonçalves Júnior, presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) - quinta testemunha de acusação a ser ouvida no julgamento. Ele acompanhou o depoimento do vigia à polícia paulista e negou qualquer tipo de tortura.

Gonçalves Júnior acompanhou também a reconstituição do crime, na represa de Nazaré Paulista, local onde foi encontrado o veículo e o corpo de Mércia. De acordo com o advogado, o trato policial com o então acusado não é o mesmo dispensado por um juiz de direito ou um promotor, mas disse não ter observado nenhum abuso policial.

"No final da conversa, logo após a coleta das informações, um dos policiais disse que ele precisava os ajudar senão Evandro ia acabar se ferrando. Mas não me recordo de palavras de baixo calão. Não vi maldade na forma com que ele falou. Tudo já tinha sido dito. Não se alterou nada depois dessa conversa mais chula", disse ele.

Celulares

Os telefonemas dados e recebidos pelo aparelho de celular do réu Mizael Bispo de Souza no dia 23 de maio de 2010 - data do crime -, voltaram a ser discutidos entre defesa e acusação no segundo dia do julgamento, a exemplo do que já havia acontecido na véspera, com o depoimento de Eduardo Amato Tolezani, engenheiro em telecomunicações. Nesta terça-feira, o investigador Alexandre Simoni Silva, que fez a análise das ligações que partiram e foram recebidas pelo aparelho, foi ouvido por cerca de duas horas, convocado pela defesa do réu.

De acordo com ele, foram 19 ligações feitas entre o réu e o vigia Evandro Bezerra da Silva, que é apontado pela promotoria como coautor do crime. O investigador, que pertencia à delegacia antissequestro na época do crime, foi convidado a fazer a análise pelo delegado Antonio Assunção de Olim, que chefiou a investigação. Hoje, Simoni trabalha na Delegacia do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado.

Segundo a investigação, Bispo de Souza ligou 16 vezes para Evandro e recebeu três ligações de seu interlocutor. O policial, que diz ter trabalhado em pelo menos 150 casos - com sucesso - de sequestros, afirmou, a exemplo do que ocorreu no primeiro dia de julgamento, que o réu circulou pela cidade de Guarulhos no momento em que é apontado como o horário provável do crime.

Defesa de Mizael

A corretora de imóveis Rita Maria de Souza, que possuía uma sala no mesmo prédio em que Mizael Bispo de Souza e Mércia Nakashima mantinham um escritório de advocacia, afirmou à Justiça de Guarulhos que ambos tinham um bom relacionamento público e que nunca presenciou problemas entre ambos. Ela prestou depoimento como testemunha de defesa de Mizael. O júri, que começou nesta segunda-feira, só deve ser encerrado na sexta-feira.

Promotor do caso Mércia revela estratégia de acusação:

Durante o depoimento, a promotoria buscou desqualificar a testemunha, com a tentativa de mostrar aos jurados que ela é amiga de Mizael. Para isso, foi apresentado um abaixo-assinado, que ela ajudou a distribuir, dizendo que Mizael tinha os seus direitos desrespeitados, comparáveis à época da ditadura e do nazismo, após ser decretada a sua prisão.

"Eu acredito nele. E não concordei com a sua prisão", disse ela. Rita afirmou que pegou com um irmão de Mizael uma cópia do documento e ajudou a passar para recolher as assinaturas.

O caso Mércia

A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos (Grande São Paulo), e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela levou um tiro no rosto, um tiro no braço esquerdo e outro na mão direita,  mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água.

O ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a investigação, Mércia namorou durante cerca de quatro anos com Mizael, que não se conformava com o fim do relacionamento amoroso. A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local, mas seu julgamento ocorrerá separadamente, em julho deste ano.

Preso em Sergipe dias depois da morte de Mércia, Evandro afirmou ter ajudado Mizael a fugir, mas alegou posteriormente que foi obrigado a confessar a participação no crime, sob tortura. Entretanto, rastreamento de chamadas telefônicas feito pela polícia com autorização da Justiça colocaram os dois na cena do crime, de acordo com as investigações. Outra prova que será usada pela promotoria é um laudo pericial de um sapato de Mizael, no qual foram encontrados vestígio de sangue, partículas ósseas, vestígios do projétil da arma de fogo e uma alga típica de áreas de represa.

Mizael teve sua prisão decretada pela Justiça em dezembro de 2010, mas se escondeu após considerar a prisão "arbitrária e injusta", ficando foragido por mais de um ano. Em fevereiro de 2012, porém, ele se entregou à Justiça de Guarulhos e, desde então, aguardava ao julgamento no Presídio Militar de Romão Gomes - enquanto o vigia permanece preso na Penitenciária de Tremembé. Mizael nega ter assassinado Mércia e disse, na ocasião, que a tratava como "uma rainha". Já o vigia afirmou, em depoimento, que não sabia das intenções do advogado e que apenas lhe deu uma carona. Se condenados, eles podem ficar presos por até 30 anos.

Fonte: Terra
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