Criador da 'Choquei' é ouvido por 1h30 na PF e defesa alega que ele não está envolvido com cantores presos
Raphael Sousa Oliveira foi preso por suspeita de envolvimento em esquema de mais de R$ 1,6 bilhão de lavagem de dinheiro
O influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador das páginas de redes sociais Choquei, foi ouvido por cerca de 1h30 após ser preso pela Polícia Federal, na manhã desta quarta-feira, 15, na operação que investiga um esquema de mais de R$ 1,6 bilhão de lavagem de dinheiro.
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À TV Anhanguera, o advogado Frederico Moreira afirmou que o dono da página não tem qualquer relação com os demais investigados na ação. Entre os presos, também estão os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo.
“Foi um depoimento demorado, porque envolve muitas pessoas. O depoimento deve ter durado em torno de 1h30, mas foi em virtude disso, porque buscava entender se o Rapahel ou a página Choquei tinha algum tipo de relação com o Mc Ryan ou com mais pessoas envolvidas na investigação”, esclareceu a defesa.
Segundo Moreira, Raphael nem sequer conhece pessoalmente ou já conversou por aplicativos de mensagem ou qualquer outro meio de comunicação com Poze do Rodo. “A única relação que ele já teve foi estritamente profissional, no sentido de promover o trabalho artístico e de influenciador do MC Ryan”, alegou.
No endereço do influenciador, em Goiânia (GO), foi apreendido o celular dele, que conforme a defesa, será periciado e comprovará suas alegações. O advogado também decladou que vai entrar com pedido de soltura junto à Justiça.
“Esperamos que seja atendido, porque o Raphael não tem absolutamente nenhum tipo de relação com atividades criminosas. O único serviço que ele vende é de publicidade de influenciadores e marcas. A gente não pode imputar à uma pessoa a prática criminosa sendo que essa atividade é lícita descrita pelo nosso ordenamento jurídico”, finalizou.
A Operação
A Operação Narco Fluxo tem o objetivo de desarticular associação criminosa voltada à movimentação ilícita de dinheiro e criptoativos no Brasil e no exterior. A ação é um desdobramento da Narco Bet, deflagrada no fim de 2025, que mirou estrutura de lavagem de dinheiro oriundo de atividades que vão do tráfico de drogas, operações de bets ilegais e rifas ilegais.
Ao todo, foram cumpridos 33 de 39 mandados de prisão, além de 45 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos (SP), nas cidades da capital paulista, em Santos, Guarujá, Praia Grande, São Bernardo do Campo e Campinas, entre outros no estado; além de municípios do Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Nos endereços, foram apreendidos 20 milhões em carros de luxo, relógios de marca, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos.
Além dos mandados, a Justiça determinou o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias para interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento. O bloqueio de valores autorizado é de R$ 1,6 bilhão, correspondente ao montante movimentado em menos de 24 meses.
Como funcionava o esquema
À imprensa, Marcelo Alberto Maceiras, Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF em São Paulo, explicou a função dos influenciadores no esquema criminoso: “Dentro da engrenagem criminosa, se utilizam de pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção”
“Essas pessoas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos, então são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações dessa estrutura de lavagem”, diz Maceiras.
O delegado destaca que a operação da PF seguiu o ‘caminho’ do dinheiro lavado que, na ponta, se ressaltava no patrimônio das figuras públicas na forma de “grandes festas, veículos e imóveis luxuosos”.
O esquema de lavagem, segundo Maceiras, era facilitado com o uso de processadoras de pagamento, empresas com as quais os criminosos conseguiam movimentar grandes valores e, através delas, avançar às fases finais do esquema, como a descentralização dos recursos, uso de contas de passagens e laranjas, para dificultar o rastreio.
O delegado explicou, ainda, que parte do dinheiro lavado era oriundo do tráfico de drogas: “Fatalmente chegamos nas facções criminosas, sem entrar no mérito de ser PCC ou não, mas a investigação demonstra que parte do dinheiro captado e depois despejado nessa estrutura é oriunda do tráfico”.



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