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Promotoria minimiza depoimento de Bruno: 'haverá punição exemplar'

O promotor de Justiça, Henry Vasconcelos, disse que pedirá que Bruno receba condenação máxima

6 mar 2013 23h34
| atualizado às 23h58
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<p>O goleiro foi interrogado nesta quarta-feira durante seu julgamento</p>
O goleiro foi interrogado nesta quarta-feira durante seu julgamento
Foto: Renata Caldeira / TJMG / Divulgação

A promotoria do julgamento do goleiro Bruno Fernandes considerou que o depoimento do ex-jogador do Flamengo, prestado na tarde desta quarta-feira, não teve tom de confissão. Por isso, não trabalha com a hipótese de que ele tenha a pena reduzida por colaborar com as investigações. O promotor de Justiça, Henry Vasconcelos, disse que pedirá que Bruno receba condenação máxima.

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"Ele não confessou. Não há, sequer, traço de confissão. Ele, claramente, delatou o Bola (o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos), mas não assumiu nenhuma responsabilidade", afirmou o promotor.

Para Vasconcelos, a situação de Bruno não se assemelha à de Luiz Henrique Romão, o Macarrão. Julgado em novembro, o ex-secretário do goleiro confessou participação no crime e teve sua pena abreviada. Ainda que tenha considerado o depoimento de Bruno mais próximo do que os autos apontam o que realmente aconteceu, o promotor ressaltou que Bruno não assumiu nada.

"A situação dele é sensivelmente diversa da do Macarrão, que, embora tenha mentido em determinados pontos, confessou participação no crime", observou.

"Bruno não confessou, ele delatou", diz promotor do caso:

O promotor salientou que Bruno fez uma delação simples, que, do ponto de vista legal, não tem nenhum efeito para que possa se refletir em algum benefício para ele próprio. "Até onde ele andou, ele continua, sem trocadilhos, no 'bico do urubu'", comentou, de forma bem humorada, o promotor, sobre a situação do ex-jogador do Flamengo.

Henry Vasconcelos frisou que, caso a juíza Marixa Fabiane conceda um benefício para Bruno semelhante ao que foi dado a Macarrão, a promotoria pretende recorrer do veredicto. "Tudo sugere que haverá uma exemplar condenação", opinou. 

O caso Bruno
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 após ter saído do Rio de Janeiro para ir a Minas Gerais a convite de Bruno. Vinte dias depois a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. O filho de Eliza, então com quatro meses, teria sido levado pela mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues. O menino foi achado posteriormente na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves.

Conheça as acusações e penas máximas possíveis contra os réus

Réu Acusações Pena máxima
Bruno Homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio 41 anos
Dayanne Sequestro e cárcere privado do filho de Eliza Samudio 5 anos
 

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza, um motorista de ônibus denunciou o primo do goleiro como participante do crime. Apreendido, jovem de 17 anos relatou à polícia que a ex-amante de Bruno foi mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. 

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão. 

Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson responderiam por sequestro e cárcere privado. 

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  O júri condenou Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos. O julgamento de Bruno e de Dayane Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi remarcado para 4 de março de 2013. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013. 

Fonte: Terra
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