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Caso Bruno

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Prejuízo de Bruno em salários pode ter chegado a R$ 30 milhões

7 jul 2011 - 12h33
(atualizado às 12h56)
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Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

A prisão pela suposta morte de Eliza Samudio, que completa um ano nesta quinta-feira, já custou ao ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, pelo menos R$ 6 milhões em perdas salariais, segundo cálculos baseados na quantia mensal que ele recebia do clube à época.

O Flamengo não divulga o valor exato do salário mensal do goleiro, mas uma fonte ouvida pelo Terra afirmou que girava em torno de "R$ 200 mil mensais, fora os patrocínios individuais" com empresas fornecedoras de material esportivo, os quais foram cancelados logo após a prisão do atleta.

O contrato de Bruno vai até 31 de dezembro de 2012, segundo a assessoria de imprensa do clube. A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, chegou a anunciar no ano passado que iria demitir Bruno por justa causa, mas depois de aconselhada por advogados ligados à equipe rubro-negra, o vínculo foi apenas suspenso até que a pendência judicial seja resolvida.

A partir daí, o atleta deixou de receber os salários, porque não prestava serviços ao clube, mas, caso seja solto, ele poderá atuar novamente pelo time dirigido por Vanderlei Luxemburgo, caso o treinador e a diretoria queiram. Bruno ainda está, inclusive, inscrito no Boletim Informativo Diário da CBF, com o número 155391. Se ganhasse a liberdade em tempo hábil, ele poderia até mesmo voltar a treinar na Gávea e jogar o Campeonato Brasileiro deste ano.

O prejuízo do goleiro poderia ser ainda maior se a transferência que ele chegou a anunciar se concretizasse. Logo que foi preso Bruno revelou que havia assinado poucos dias antes um pré-contrato com o Milan, da Itália, com salários que poderiam chegar a R$ 500 mil, fora as luvas que receberia pela transferência, cerca de R$ 4,2 milhões. Contratos com equipes internacionais geralmente têm vigência média de cinco anos. Nesse caso, Bruno provavelmente deixou de ganhar R$ 30 millhões até 2015.

Preso em uma das celas da Penitenciária Nelson Hungria em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, Bruno tem contado com a ajuda da avó que o criou, Estela Trigueiro, 78 anos, e da noiva, a dentista Ingrid Calheiros, 25 anos.

Ingrid, em uma conversa telefônica interceptada pelo Ministério Público e autorizada pela Justiça de Contagem, teria confidenciado a uma pessoa com quem falava que o goleiro tem atualmente "apenas R$ 4 na conta bancária".

A casa onde o jogador morava no Rio de Janeiro e que, segundo a polícia mineira, foi o primeiro cativeiro de Eliza Samudio e o filho, era alugada. De acordo com o advogado Francisco Simim, que representa a ex-mulher de Bruno, Dayanne do Carmo Souza, o casal tem apenas o sítio em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde Eliza e o filho também teriam sido mantidos em cárcere, de acordo com as investigações da polícia e do Ministério Público.

A luxuosa propriedade de 5 mil m² está à venda desde o início deste ano, mas o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro informou que a parte do imóvel que pertence a Bruno está bloqueada para ser utilizada como garantia ao pagamento da pensão alimentícia pedida por Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, e que tem a guarda do suposto filho de Bruno.

O advogado José Arteiro Cavalcante Lima, que representa a mãe de Eliza, disse que o valor pedido pela cliente é de R$ 17 mil. Arteiro afirmou que vai tentar bloquear também a metade pertencente a Dayanne porque, segundo ele, "ela também é envolvida no caso". O advogado da ex-mulher de Bruno, Francisco Simim, disse desconhecer a informação.

Procurado, o advogado do goleiro, Claudio Dalledone Junior, informou que não falará sobre a situação financeira do cliente.

O caso Bruno

Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

Após ser preso, Bruno revelou ter assinado dias antes um pré-contrato com o Milan com salários que poderiam chegar a R$ 500 mil
Após ser preso, Bruno revelou ter assinado dias antes um pré-contrato com o Milan com salários que poderiam chegar a R$ 500 mil
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Fonte: Especial para Terra
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