MS: filho de Bruno e Eliza Samudio passa por operação
2 ago2011 - 20h09
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O filho do ex-goleiro flamenguista Bruno com Eliza Samudio, Bruninho, foi operado na manhã desta terça-feira no Hospital Regional de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, de fimose. A criança não chegou a ficar internada e já retornou para a casa onde vive com a sua avó materna.
Bruninho brinca com cimento ao lado do atual sogro de Sônia
Foto: Ítalo Milhomem / Especial para Terra
A família tentou manter a cirurgia em sigilo por se tratar de um problema pequeno. Segundo os parentes, houve uma indicação médica para a retirada de excesso da pele peniana, comum entre crianças. O menino mora com Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza, no distrito de Anhanduí. Eliza desapareceu em junho do ano passado e o pai está preso, suspeito de assassiná-la.
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.
No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.
Com informações de O Dia online.
Bruno Fernandes de Souza - Ex-goleiro do Flamengo, foi apontado como mentor do desaparecimento e morte de Eliza Samudio, com quem teve um breve relacionamento em 2009. A jovem o acusou de tê-la agredido e forçado-a a tomar substâncias abortivas quando ela estava grávida. Foi condenado a quatro anos de prisão pela agressão à Eliza, no Rio de Janeiro, e será levado a júri popular em Minas Gerais pela morte dela. Está preso desde 7 de julho de 2010.
Foto: Paulo Vitor / Agência Estado
Luiz Henrique Romão, o Macarrão - Braço-direito de Bruno, tem nas costas uma tatuagem com o nome dele e o trecho de uma música. Acusado de levar Eliza do Rio de Janeiro para Minas Gerais, onde ela teria sido morta. Também foi condenado por agredir Eliza quando ela estava grávida e responde pelo homicídio na Justiça mineira. Foi preso em 7 de julho.
Foto: Vitor Silva / Jornal do Brasil
J. - Primo de Bruno, tinha 17 anos quando teria participado do crime. Foi capturado na casa de Bruno em 6 de julho. Em depoimento, disse à polícia que Eliza foi esquartejada e que sua mão foi jogada aos cães do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos. Depois, voltou atrás e disse que estava sob efeito de drogas na primeira declaração. Foi condenado a cumprir medida socioeducativa por prazo indeterminado.
Foto: Luiz Guarnieri / Futura Press
Marcos Aparecido dos Santos, o Bola - O ex-policial civil que dava curso de adestramento de cães e sobrevivência é apontado como o executor de Eliza e foi preso em 8 de julho. Ele teria asfixiado a mulher e esquartejado seu corpo, segundo o depoimento do adolescente primo de Bruno. Será levado a júri popular pelo crime. A polícia investiga ainda sua participação em outros assassinatos e ameaças à juíza do caso.
Foto: Paulo Assis / Futura Press
Sérgio Rosa Sales, o Camelo - Também primo de Bruno, está preso desde 7 de julho. No início das investigações disse ter visto Eliza no sítio de Bruno e que ela apresentava ferimentos. Mais tarde, alegou ter sido torturado por um delegado e, por isso, inventou as informações. Será levado a júri popular pela morte da jovem.
Foto: Alex de Jesus / Futura Press
Dayanne Rodrigues do Carmo de Souza Ex-mulher de Bruno, passou uma noite presa no final de junho suspeita de esconder o filho de Eliza durante buscas da polícia. Depois, foi presa por determinação da Justiça em 7 de julho. Mãe de dois filhos com o goleiro, será levada a júri popular pelo sequestro e cárcere privado do bebê. Em dezembro de 2010, recebeu o direito de responder em liberdade e foi solta.
Foto: André Mourão / O Dia
Elenílson Vítor da Silva - Caseiro do sítio de Bruno e primo de criação de Macarrão, disse que levou comida a Eliza e ao filho dela durante o suposto cativeiro. Está preso desde 9 de julho. Será levado a júri popular por sequestro e cárcere privado do filho de Eliza. Também deixou a prisão em dezembro de 2010.
Foto: Alisson Gontijo / O Tempo / Futura Press
Wemerson Marques de Souza, o Coxinha - Foi preso em 9 de julho. É acusado de acompanhar Dayanne quando ela entregou o filho de Eliza para ser escondido em uma casa em Ribeirão das Neves. Será levado a júri popular por sequestro e cárcere privado do filho de Eliza. Conseguiu o direito de responder em liberdade em dezembro de 2010.
Foto: Alisson Gontijo / O Tempo / Futura Press
Fernanda Gomes de Castro - Amante de Bruno, foi presa em 5 de agosto na casa dos pais de Macarrão. Segundo a polícia, foi ela quem cuidou do filho de Eliza enquanto a mulher estava em cativeiro. Será levada a júri popular pelo sequestro e cárcere privado de Eliza e seu filho. Foi solta em dezembro de 2010.
Foto: Luiz Costa/Hoje em Dia / Futura Press
Flávio Araújo, o Flavinho - Perueiro e motorista de Bruno, foi preso em 9 de julho. Teria ajudado Dayanne a levar o filho de Eliza para ser escondido em Ribeirão das Neves. Teve a prisão revogada em novembro e foi excluído do processo, a pedido do Ministério Público, em dezembro de 2010.
Foto: Alisson Gontijo / O Tempo / Futura Press
Ércio Quaresma - Foi advogado do goleiro Bruno durante a maior parte do processo. No final de novembro de 2010, foi suspenso pela Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais após aparecer em um vídeo no qual fumava crack e deixou a defesa do atleta. Em entrevistas, disse que era dependente da droga, mas nunca havia entrado em um plenário "doidão".
Foto: Renato Cobucci / Futura Press
Claudio Dalledone Junior Assumiu a defesa de Bruno após o afastamento de Ércio Quaresma e protocolou diversos pedidos para que o goleiro fosse solto. Chegou até o Superior Tribunal de Justiça com solicitações de habeas-corpus.
Foto: Alex de Jesus / Futura Press
Ingrid Calheiros de Oliveira Noiva do goleiro Bruno, a dentista chegou a ser ouvida pela polícia, mas nunca foi envolvida no caso. Visitou o atleta na penitenciária em Minas Gerais e acusou o ex-advogado dele de ameaça.
Foto: Deisi Rezende / O Dia
Marixa Fabiane Lopes - Juíza do Tribunal do Júri de Contagem (MG), recebeu a denúncia contra os nove envolvidos e classificou o caso como um "palco de horrores". Durante audiências, arrancou risadas dos réus e de todos os presentes com questionamentos espirituosos, além de demonstrar irritação com o hábito do ex-defensor de Bruno, Ércio Quaresma, de dormir e roncar no plenário. Determinou que todos menos Flavinho fossem levados à júri popular.
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Edson Moreira - Delegado titular da Delegacia de Investigações de Homicídio e Proteção à Pessoa de Minas Gerais. Foi o responsável pelo comando das investigações que levaram ao indiciamento de Bruno e mais oito pessoas.
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Alessandra Wilke - Delegada da divisão de Homicídios, chegou a ser chamada de "Paquita" pelo ex-advogado de Bruno, Ércio Quaresma, na defesa que foi apresentada à Justiça. Foi afastada da presidência do inquérito sobre o desaparecimento de Eliza após a divulgação de imagens para o programa Fantástico, da TV Globo, em que Bruno aparece falando informalmente sobre Eliza, mas continuou auxiliando nas investigações.
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Delegada Ana Maria Santos - Delegada-chefe da Delegacia de Homicídios de Contagem, também foi afastada da chefia do inquérito sobre o desaparecimento de Eliza após a divulgação de imagens exclusivas para o programa Fantástico, mas continuou auxiliando nas investigaçõe. Assim como Alessandra, Ana Maria ganhou um apelido do ex-advogado de Bruno na defesa que ele apresentou à Justiça: Mega Hair.
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Luiz Carlos Samudio - Pai de Eliza, chegou a obter a guarda do neto após ele ter sido localizado pela polícia em Minas Gerais, mas perdeu o direito após a Justiça constatar que ele respondia a uma acusação de abuso. Foi condenado a oito anos de prisão por tentado violento ao pudor pelo suposto abuso sexual de sua filha mais nova em 2003, quando a menina tinha 10 anos de idade. Teve a prisão decretada e é considerado foragido. Seu advogado disse que ele está trabalhando na Argentna.
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Sônia de Fátima Moura - Mãe de Eliza, foi morar em Mato Grosso do Sul após se separar de Luiz Carlos. Apesar do pouco contato com a filha, conseguiu na Justiça a guarda do neto, o bebê que Eliza alegava ser de Bruno. No entanto, ela disse não querer que o atleta se aproxime do menino, caso seja comprovado que ele é o pai.