Ex-delegado sobre condenação de Bola: 'um dos maiores criminosos de MG'

Hoje vereador pelo PTN em Belo Horizonte (MG), Edson Moreira chefiou as investigações do início do caso

27 abr 2013
22h28 atualizado às 22h36
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O delegado Edson Moreira depõe no julgamento de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola
O delegado Edson Moreira depõe no julgamento de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola
Foto: Renata Caldeira / TJMG / Divulgação

O ex-delegado Edson Moreira, vereador pelo PTN em Belo Horizonte (MG), comemorou na noite deste sábado a condenação, no Fórum de Contagem, de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, pela morte e ocultação do cadáver de Eliza Samudio. "Está sendo jogado na cadeia um dos maiores criminosos de Minas Gerais, definitivamente", disse. O ex-delegado chefiou as investigações do início do caso.

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Na saída do fórum, já ciente do veredito, Moreira afirmou que "a Justiça hoje está sendo feita, principalmente pela brilhante atuação do representante do Ministério Público, o promotor Henry Wagner". O ex-delegado disse que o resultado do julgamento serviu para confirmar o trabalho dos investigadores, e pediu que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apure a conduta dos defensores de Bola durante o julgamento.

"Em momento algum os defensores estavam preocupados em defender o cliente, estavam preocupados em atacar o Ministério Público e as autoridades policiais. Em todas as fases da investigação e do  processo judicial, ataques foram feitos. Quando a defesa não tem argumentação contra as provas robustas dos autos, ela ataca as autoridades. Com infâmias. Desespero de causa", avaliou. 

Edson Moreira terminou dizendo que espera pela denúncia contra o policial aposentado José Lauriano de Assis, o Zezé, que foi investigado pela polícia por envolvimento na morte de Eliza, mas não indiciado. "Como eu disse no depoimento, o Zezé era intermediário nesse crime e, em momento certo, ele responderá" disse, explicando em seguida porque Zezé não foi indiciado em 2010, época das investigações. "As provas naquele momento não eram seguras como eram as dos outros acusados", informou.

O caso Bruno
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 após ter saído do Rio de Janeiro para ir a Minas Gerais a convite de Bruno. Vinte dias depois a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. O filho de Eliza, então com quatro meses, teria sido levado pela mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues. O menino foi achado posteriormente na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza, um motorista de ônibus denunciou o primo do goleiro como participante do crime. Apreendido, jovem de 17 anos relatou à polícia que a ex-amante de Bruno foi mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão. 

Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson responderiam por sequestro e cárcere privado. 

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  O júri condenou Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos. No dia 8 de março de 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão, dos quais 17 anos e seis meses terão de ser cumpridos em regime fechado. Dayanne Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi absolvida. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013.

Fonte: Especial para Terra
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