BA: garoto morto durante ação policial é enterrado em Salvador
O garoto Joel da Conceição Castro, 10 anos, que foi morto durante um suposto tiroteio entre policiais militares e traficantes, foi enterrado às 12h (hora local) desta terça-feira no cemitério do Campo Santo, em Salvador (BA). Joel foi baleado dentro da própria casa por volta da 0h de segunda-feira, no Nordeste de Amaralina, bairro popular da capital baiana.
Centenas de pessoas compareceram ao enterro, entre elas 30 crianças da escola Maria Amália Paiva, onde o garoto estudava. O pai, Joel Castro, mestre de capoeira, e a mãe, a dona de casa Miriam Conceição, passaram mal duas vezes e precisaram ser retirados do local.
Durante o sepultamento, foi formada uma roda de capoeira do Grupo Gingado Baiano, do qual Joel fazia parte. Após o enterro, familiares e amigos da vítima fizeram uma passeata contra o crime até à sede da TV Record Bahia. Os manifestantes levaram faixas e cartazes e fizeram um abaixo-assinado para entregar uma carta aberta ao governador.
Entenda o caso
Joel da Conceição Castro foi baleado durante uma ação policial no Nordeste de Amaralina. O garoto foi atingido no rosto quando se preparava para dormir, na própria casa.
De acordo com testemunhas, os tiros que atingiram Joel teriam partido da polícia. "O pai estava com a criança nos braços quando saiu de casa e pediu socorro. Os policiais mandaram ele voltar e disseram que se não retornasse iria morrer também", afirmou um morador do bairro, que não quis se identificar.
A mãe da vítima criticou a forma como os policiais entraram no bairro. "Eles já chegaram aqui xingando todo mundo. Meu filho estava arrumando a cama para dormir quando recebeu os tiros", disse.
Joel fazia parte do grupo de capoeiristas do Nordeste de Amaralina e se preparava para viajar com o pai para a Itália, onde participaria de apresentações de capoeira. Há cerca de três meses, o garoto participou de um comercial do Governo da Bahia e aparecia praticando o esporte ao lado do pai.
Protestos
Na noite de segunda-feira, nove policiais militares da 40º CIPM, que participaram da operação, foram afastados das suas funções e devem cumprir atividades administrativas durante as investigações. Também na segunda, três protestos dos moradores do Nordeste de Amaralina foram realizados em Salvador contra a morte do menino.