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PIB cresce 0,1% no 3º tri: o que explica a variação e o que esperar de 2024

Resultado superou expectativas dos analistas, que era de uma queda de 0,2% em relação ao trimestre anterior.

5 dez 2023 - 09h43
(atualizado às 11h01)
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De janeiro a setembro, o PIB acumulou alta de 3,2%, na comparação com mesmo período do ano passado
De janeiro a setembro, o PIB acumulou alta de 3,2%, na comparação com mesmo período do ano passado
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A economia brasileira subiu 0,1% no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores, informou nesta terça-feira (5/12) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Apesar de ser uma pequena variação, o resultado superou expectativas dos analistas, que era de uma queda média de 0,2% nessa base de comparação.

Ao contrário do esperado, trata-se da terceira taxa positiva consecutiva e deixa o PIB (soma de bens e serviços produzidos no país) no maior patamar da série histórica.

De janeiro a setembro, o PIB acumulou alta de 3,2%, na comparação com mesmo período do ano passado.

O resultado trimestral é explicado, segundo o IBGE, pelo avanço registrado na indústria e em serviços (0,6% para ambos), no lado da oferta.

Ao mesmo tempo, a agropecuária caiu 3,3% - segundo os dados revisados, foi a primeira queda da atividade após cinco trimestres com taxas positivas. O setor tinha sido o motor do crescimento acima da média no começo do ano, registrando uma alta de mais de 20% de janeiro a março.

Na ponta da demanda, houve queda de 2,5% nos investimentos em relação ao segundo trimestre, e alta no consumo das famílias (1,1%) e do governo (0,5%).

'Forte crescimento chegou ao fim'

Para Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, embora o resultado do PIB tenha vindo melhor que o esperado, "não acho que seja algo a se celebrar".

"Basicamente estamos vendo uma desaceleração da economia", ela diz à BBC.

Veronese destaca, entre os pontos positivos do resultado do trimestre, o consumo das famílias, com aumento superior a 1%. "Pode ser reflexo dos programas de transferência de renda, do aumento do Bolsa Família, mas também mostra um mercado de trabalho aquecido, com desemprego baixo".

Outro ponto positivo, diz ela, é o setor de serviços, que está em patamar recorde, acima do nível pré-pandemia.

Já entre os pontos negativos, ela cita a desaceleração na agropecuária e a quarta queda consecutiva na formação bruta de capital fixo - indicador que registra a ampliação da capacidade produtiva futura de uma economia por meio de investimentos.

Para 2024, Veronese prevê um crescimento do PIB próximo de 1,5%.

Segundo análise de William Jackson, economista-chefe de Mercados Emergentes da consultoria inglesa Capital Economics, apesar do avanço de 01%, "o panorama geral é que o forte crescimento observado no primeiro semestre do ano chegou ao fim".

A consultoria, que previa uma retração de 0,5% no trimestre, diz que "é difícil prever o que acontecerá no quarto trimestre, dada a volatilidade da produção no setor agrícola".

"Pensamos que a economia está entrando numa fase de crescimento mais fraco - mais semelhante às taxas de crescimento registradas nos anos anteriores à pandemia, de 1,0 a 1,5%", diz a análise.

O economista André Perfeito, que foi economista-chefe da Necton Investimentos, o resultado surpreendeu principalmente "pelo comportamento melhor que o esperado para serviços e indústria" — setores com grande peso no valor do PIB.

Ele diz que o resultado do agro "nem dá para ser considerado uma queda de fato", já que "na comparação anual o setor sobe robustos 8,77%".

Perfeito também chama atenção para "o resultado positivo do setor externo, que ajudou nas contas nacionais". Ele cita o recuo de 2,14% nas importações no trimestre, e avanço de 3,95% nas exportações. 

"Na comparação anual, as importações caem 6,14%, enquanto as exportações sobem 9,99%", afirma.

"O resultado benigno do PIB reitera nosso cenário de alta de 3% (pelo menos) este ano e de 2% o ano que vem", afirma Perfeito sobre suas expectativas.

Um vendedor ambulante informal vende uma garrafa de água para um passageiro na Rodoviária do Plano Piloto, principal centro de transporte do Distrito Federal
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Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Taxa de juros

"A dissipação do choque positivo na agricultura e o arrefecimento da demanda interna explicam em grande parte o enfraquecimento do PIB neste semestre", analisou a XP em relatório na manhã desta terça-feira, antes da divulgação do resultado.

"Esse cenário reforça o espaço para o Banco Central continuar cortando as taxas de juros nos próximos meses", seguiu a XP na avaliação.

O banco de investimentos previa uma queda de 0,2% frente ao trimestre anterior (1,8% de alta ano contra ano).

Desde agosto, o BC começou uma redução da taxa básica de juros Selic em 0,5 ponto percentual em cada uma de suas reuniões, até chegar aos atuais 12,25%. A próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central está marcada para os dias 12 e 13 de dezembro.

Desde o trimestre anterior, os analistas já se perguntavam: o melhor momento da economia brasileira sob Lula ficou para trás? O motivo é que a maioria das análises prevê um PIB menos vigoroso para 2024 do que o de 2023.

Na mais recente edição do Boletim Focus do Banco Central, os economistas e instituições ouvidas esperam uma alta de 1,5% do PIB em 2024, contra 2,84% em 2023.

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