PF prende suspeito de planejar atentado suicida no Brasil em possível ligação com grupo Estado Islâmico
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (29) um homem suspeito de preparar um atentado suicida no Brasil e de manter vínculos com o grupo jihadista Estado Islâmico.
Segundo comunicado oficial da Polícia Federal, o investigado "encontrava-se em fase preparatória para a fabricação de um colete explosivo com a finalidade de cometer um atentado terrorista suicida em território nacional". A corporação não divulgou detalhes sobre o possível alvo nem sobre a data em que o ataque poderia ocorrer.
A investigação contou com o apoio do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, em um exemplo de cooperação internacional em matéria de contraterrorismo. De acordo com uma fonte da polícia brasileira, que falou sob condição de anonimato, o homem é suspeito de manter ligação com o Estado Islâmico (EI), organização classificada como terrorista por diversos países e organismos internacionais, incluindo a ONU.
O suspeito foi detido no município de Bauru, no interior do estado de São Paulo, a cerca de 330 quilômetros da capital paulista. A Polícia Federal informou que as investigações continuam em andamento e que novas buscas podem ser realizadas nos próximos dias.
Embora o grupo Estado Islâmico tenha perdido, a partir de 2017, o controle de vastas áreas do Iraque e da Síria - territórios que chegaram a formar a base do chamado "califado" -, especialistas em segurança internacional e relatórios de organismos como a ONU e centros de pesquisa independentes alertam que o grupo mantém capacidade de atuação por meio de células, simpatizantes e afiliados regionais. Esses grupos continuam a realizar ataques, sobretudo em países da África e do Oriente Médio, como Nigéria, Somália, Afeganistão e Síria.
Brasil não figura entre países visados por jihadistas
O Brasil, historicamente, não figura entre os países mais visados por organizações jihadistas. Autoridades e analistas costumam destacar fatores como a ausência de envolvimento militar direto em conflitos no Oriente Médio, além de uma sociedade multicultural e majoritariamente distante das dinâmicas que alimentam o extremismo violento em outras regiões. Ainda assim, episódios pontuais já levaram as forças de segurança brasileiras a abrir investigações relacionadas à radicalização online e à possível influência de grupos extremistas estrangeiros.
Casos anteriores, segundo especialistas em contraterrorismo ouvidos por veículos como a AFP e por centros acadêmicos brasileiros, mostram que a principal preocupação das autoridades tem sido o monitoramento de indivíduos isolados, frequentemente radicalizados por meio da internet e das redes sociais, mais do que a atuação de células estruturadas no país.
A Polícia Federal reforçou que o Brasil mantém mecanismos de prevenção e cooperação internacional para identificar e neutralizar ameaças desse tipo antes que avancem para a fase de execução, como ocorreu neste caso.
Com AFP