Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Feminicídios sobem 8,1% em um ano e batem recorde em SP

Foram 266 ocorrências, 20 a mais do que em 2025; SSP afirma possuir 'política integrada e permanente para prevenção, proteção e resposta rápida às vítimas'

29 jan 2026 - 17h10
(atualizado às 18h20)
Compartilhar
Exibir comentários

O Estado de São Paulo teve alta de 8,1% nos casos de feminicídio em 2025, atingindo o maior patamar da série histórica para crimes desse tipo, iniciada em 2018. Foram 266 ocorrências, 20 a mais do que em 2024, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgados pela Folha de S.Paulo e confirmados pelo Estadão.

Em entrevista recente ao Estadão, o novo titular da Secretaria da Segurança Pública, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que vai priorizar o combate aos crimes contra as mulheres. "É um crime muito difícil de ser combatido, porque ocorre dentro de casa", disse.

Em nota, a gestão destaca a adoção de medidas como o app Mulher Segura e a criação, em 2023, da Secretaria de Políticas para a Mulher, focada na "estruturação de uma política integrada e permanente para prevenção, proteção e resposta rápida às vítimas" (leia mais abaixo).

Homem atira contra a ex-companheira em uma pastelaria na zona norte de São Paulo.
Homem atira contra a ex-companheira em uma pastelaria na zona norte de São Paulo.
Foto: Câmeras de monitoramento/Reprodução / Estadão

Dezembro, marcado pelo feminicídio de Tainara Santos, de 31 anos, que morreu na véspera do Natal após ser atropelada e arrastada por um quilômetro na Marginal Tietê, zona norte da capital, foi o mês com mais casos contabilizados no ano: 33.

Segundo investigações, o suspeito - Douglas Silva - manteve relacionamento anterior com a vítima e, ao vê-la com outro homem em um bar, avançou com o veículo contra ela. A defesa diz que ele é réu confesso, mas nega que ele tenha tido envolvimento prévio com Tainara.

Casos recentes chamam atenção pela brutalidade. No dia 1º de dezembro, Evelyn de Souza Saraiva, de 38 anos, foi alvo de uma tentativa de feminicídio dentro da pastelaria onde trabalhava, na Rua Ushikichi Kamiya, em Tremembé, zona norte da capital.

Ex-companheiro de Evelyn, Bruno Lopes Fernandes Barreto, de 36 anos, sacou duas armas e atirou pelo menos cinco vezes contra a mulher, mostram imagens de câmeras de segurança. Ele foi preso no começo desta semana pela Polícia Militar. A defesa dele não foi localizada.

Na capital paulista, a variação de casos de feminicídio foi ainda maior do que no restante do Estado: os boletins de ocorrência desse tipo de crime subiram de 49, em 2024, para 60, no último ano, alta de 22,4%.

Como mostrou recentemente o Estadão, o Brasil também bateu um novo recorde de feminicídios em 2025, mesmo com os dados de dezembro ainda incompletos, segundo balanço do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Foram 1.470 casos no período, o equivalente a quatro vítimas por dia. Desde 2015, quando houve a tipificação do feminicídio, houve registro de 13.448 crimes do tipo no Brasil.

Estupros caem, mas seguem em patamar elevado

O Estado de São Paulo registrou 14.443 casos de estupro no ano passado, queda de 0,9% em relação às 14.579 ocorrências contabilizadas de janeiro a dezembro de 2024. Os números, ainda assim, são considerados elevados: equivalem a quase 40 casos por dia.

Na capital, houve queda até mais acentuada, de 2,5%: foram 2.934 casos registrados em 2025. Um ano antes, foram 3.012. O levantamento leva em consideração apenas os crimes para os quais foram registrados boletins de ocorrência.

A Secretaria da Segurança Pública destaca, em nota enviada à reportagem, que tem adotado uma série de medidas voltadas para combater a violência contra a mulher, entre as quais o monitoramento de agressores com tornozeleiras eletrônicas. Segundo a pasta, desde 2023, 1,1 mil foram tornozelados, dos quais 112 homens foram presos por descumprimento das medidas protetivas.

A secretaria afirma ainda que tem realizado grandes operações para prender agressores, com 1,1 mil suspeitos presos em flagrante apenas nos últimos 2 meses, e que tem intensificado o investimento em outras ações, como o App Mulher Segura, que busca conectar mulheres em risco com a polícia - já são mais de 45 mil usuárias cadastradas e 7 mil acionamentos do botão do pânico.

Entre outras medidas, a pasta ressalta a criação do movimento SP por Todas, desenvolvido para dar visibilidade e facilitar o acesso das mulheres à rede de proteção e acolhimento, e a implementação do auxílio-aluguel, que já apoia 4 mil mulheres vítimas de violência doméstica em 582 municípios. Além disso, hoje são 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e 170 Salas DDM 24h ativas no Estado.

Estadão
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade