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Pedido de asilo à Argentina de Milei? A repercussão do indiciamento de Bolsonaro na imprensa internacional

Mensagens encontradas pela Polícia Federal sustentam hipótese, que ganhou destaque na cobertura internacional do indiciamento do ex-presidente.

22 ago 2025 - 09h26
(atualizado em 22/8/2025 às 21h10)
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O presidente da Argentina, Javier Milei, abraça o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em 7 de julho de 2024, em Camboriú, Brasil
O presidente da Argentina, Javier Milei, abraça o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em 7 de julho de 2024, em Camboriú, Brasil
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A revelação, pela Polícia Federal (PF), de que o ex-presidente Jair Bolsonaro elaborou um pedido de asilo político ao presidente argentino Javier Milei teve grande repercussão na imprensa internacional.

Veículos da América Latina, Estados Unidos e Europa destacaram em suas reportagens a descoberta pelas autoridades brasileiras de uma minuta encontrada em um dos celulares de Bolsonaro durante a investigação sobre a suposta tentativa de golpe de Estado.

Nesta sexta-feira (22/08), a defesa de Bolsonaro se manifestou afirmando que "não só não há risco de fuga como essa fuga já não existiu" (leia mais abaixo).

Na Argentina, o jornal Clarín publicou matéria com o título "Jair Bolsonaro planejou pedir asilo ao governo de Javier Milei em 2024".

Na reportagem, ressaltou que a minuta de asilo apreendida pela PF incluía não apenas argumentos políticos, mas também referências religiosas e jurídicas, com citações bíblicas e ao Pacto de San José da Costa Rica (ou Convenção Americana sobre Direitos Humanos, o tratado internacional que estabelece direitos e liberdades civis e políticas para os países membros da Organização dos Estados Americanos).

Captura de tela da reportagem do jornal argentino Clarín
Captura de tela da reportagem do jornal argentino Clarín
Foto: Reprodução Clarín / BBC News Brasil

Já a agência de notícias Reuters apontou que não há confirmação de que o documento tenha chegado ao governo Milei e citou fontes da Casa Rosada que negaram o recebimento da carta.

A agência destacou também que a PF encontrou um áudio de Bolsonaro pedindo a um advogado ligado à Trump Media para revisar uma postagem em que exaltava o ex-presidente dos EUA, e que os investigadores afirmam que isso demonstra subordinação a "interesses estrangeiros".

O jornal britânico Financial Times detalhou que o rascunho encontrado no celular do ex-presidente tinha 33 páginas e fora salvo em fevereiro de 2024, logo após operações da PF contra aliados do então investigado.

O jornal ressaltou que Bolsonaro se apresentava como vítima de "perseguição política" e afirmava temer pela própria vida, o que para os investigadores indicaria um plano de fuga deliberado.

O FT lembrou ainda que o julgamento de Bolsonaro pode levá-lo a uma pena de mais de 40 anos de prisão.

Outro veículo britânico, o The Guardian também repercutiu o caso. O texto enfatiza que o pedido de asilo foi salvo no celular dois dias após Bolsonaro ter o passaporte apreendido, e que no documento ele se dizia vítima de uma prisão "injusta, ilegal e arbitrária".

O jornal frisou que, para alguns especialistas, a quantidade de provas torna uma condenação praticamente inevitável.

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Na Al Jazeera, rede de mídia de Doha, Catar, a publicação sobre o caso reforçou que a minuta de asilo estava entre os elementos do relatório final da PF, no qual são recomendadas acusações de "coação no processo judicial" e "tentativa de abolição do Estado democrático de direito".

O New York Times informou que o rascunho apreendido pela PF tinha trechos em que Bolsonaro dizia sofrer perseguição e prever prisão arbitrária, e recordou que dias depois da apreensão o ex-presidente passou duas noites na embaixada da Hungria em Brasília, em uma tentativa de obter abrigo junto a Viktor Orbán, outro aliado internacional.

O jornal também reforçou que, segundo a polícia, o plano golpista incluía não apenas a reversão do resultado das eleições, como também o assassinato do presidente eleito Lula e do ministro do STF Alexandre de Moraes — algo que Bolsonaro nega conhecer.

Resposta da defesa de Bolsonaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes deu 48 horas para que a defesa explicasse "o comprovado risco de fuga" e as violações às medidas cautelares.

Os advogados de Jair Bolsonaro se manifestaram nesta sexta-feira (22/08), destacando que o rascunho sobre a Argentina é datado de 2024 e, desde então, não teria havido qualquer tentativa de fuga.

"A autoridade policial evidentemente sabe (...) que para se aventar de uma prisão preventiva é preciso haver fato contemporâneo", disse a defesa.

Em nota, Eduardo Bolsonaro afirmou que sua atuação nos EUA "jamais teve como objetivo interferir em qualquer processo em curso no Brasil" e defendeu apenas o "restabelecimento das liberdades individuais".

O deputado também criticou que a PF não teria identificado os autores dos crimes.

"Se a tese da PF é de que haveria intenção de influenciar políticas de governo, o poder de decisão não estava em minhas mãos, mas sim em autoridades americanas, como o presidente Donald Trump, o Secretário Marco Rubio ou o Secretário do Tesouro Scott Bessent. Por que, então, a PF não os incluiu como autores?", indagou o parlamentar, criticando também o vazamento de conversas privadas.

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