Pai de vítima do voo 3054 acredita em conspiração para inocentar TAM
- Marcus Bruno
- Direto de Porto Alegre
No dia 17 de julho completa-se meia década do acidente com um avião da TAM que explodiu ao bater em um prédio quando pousava no Aeroporto de Congonhas, em 2007. Passado todo esse tempo, familiares das vítimas ainda lutam por Justiça. É o caso do médico Maurício Pereira, 54 anos, pai de Mariana Simonette Pereira. Ele afirma que a companhia está praticando uma 'conspiração' para ser inocentada no caso. "Eu não quero acordo de indenização, eu quero que a empresa seja condenada", protesta.
Mariana tinha 22 anos e cursava Medicina em Porto Alegre. Ela viajou para São Paulo, onde sua mãe a esperava no aeroporto. O avião, no entanto, ultrapassou o limite da pista de pouso e se chocou com um depósito da própria TAM. O acidente não deixou sobreviventes: foram 187 mortos dentro da aeronave e 12 no solo. O pai de Mariana teve de ir a Congonhas reconhecer o corpo da vítima.
Maurício Pereira conta que na época do acidente, advogados americanos de Miami e Califórnia se apresentaram à Associação de Familiares das Vítimas do Voo TAM JJ3054 (Afavitam), numa tentativa de levar o processo para os Estados Unidos, alegando que conseguiriam lá uma indenização muito maior. Pouco tempo depois, eles voltaram noticiando que o caso estava trancado nos EUA, e que a ação só iria continuar caso a TAM fosse retirada do processo. Semanas depois, a Justiça americana devolveu o processo ao Brasil, lembra.
"A história ficou estranha mesmo quando um desses advogados me buscou no aeroporto, me levou de limusine ao Hotel Hilton, na marginal Pinheiros, e tentou me oferecer um acordo financeiro. Eles tentaram me impressionar, mas não conseguiram", revela o pai de Mariana. Segundo o médico, os advogados tentaram lhe "enfiar um acordo goela abaixo".
O valor do acordo girava em torno de R$ 160 mil, segundo Maurício Pereira. Ele lamenta que a maioria dos familiares das vítimas já aceitou a indenização e retirou o processo contra a companhia aérea. "Parece que os advogados estão trabalhando para a TAM." O médico explica que não quer apenas um ressarcimento financeiro: "eu quero a sentença".
De acordo com a companhia, 193 das 199 famílias de vítimas já foram indenizadas. Segundo a empresa aérea, foram dispensados mais de R$ 17 milhões em assistência aos parentes, como planos de saúde, psicológico, traslados e serviços funerários.
Pereira está entrando, nesta sexta-feira, com uma ação cível e penal contra a TAM. A inciativa, segundo ele, é isolada. O médico, que à época do acidente morava em Aracaju (SE), onde possuía uma clínica particular, se mudou para Tangará da Serra, no Mato Grosso.