Moraes ignora sanções dos EUA e diz que não vai 'se acovardar'
Ministro prometeu que manterá julgamento contra Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (1º) que pretende ignorar as sanções impostas contra ele pelo governo dos Estados Unidos e prometeu dar continuidade ao julgamento dos réus acusados de envolvimento na tentativa de golpe de Estado, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"O rito processual do STF não se adiantará nem se atrasará. O rito irá ignorar as sanções praticadas. Este relator vai ignorar as sanções que foram aplicadas e vai continuar os julgamentos. Sempre de forma colegiada. Não nos acovardando diante de ameaças, sejam daqui, sejam de qualquer outro lugar", afirmou o ministro durante a cerimônia de reabertura dos trabalhos do Supremo.
Na quinta-feira (30), o governo americano anunciou que aplicará a chamada Lei Magnitsky contra Moraes, alegando violação de direitos humanos em sua atuação como magistrado. Para o presidente Donald Trump, o ministro promove uma "caça às bruxas" contra Bolsonaro.
Durante seu discurso, Moraes assegurou que o julgamento prosseguirá sem alterações no segundo semestre. "O STF vai dar uma resposta final a toda a sociedade. Uma resposta sobre quais foram os responsáveis pela tentativa de golpe, inadmitindo interferência externa no Judiciário", ressaltou.
Na sessão desta sexta-feira, Moraes recebeu o respaldo do presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, e do decano do tribunal, Gilmar Mendes.