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Médica cubana que desertou pede refúgio no Brasil e asilo nos EUA

6 fev 2014
10h56
atualizado às 11h25
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A médica cubana Ramona Matos Rodríguez, que desertou quando trabalhava para o programa Mais Médicos, pediu refúgio no Brasil e asilo nos Estados Unidos, informaram nesta quinta-feira porta-vozes Democratas (DEM) que a apoia em suas gestões.

A médica disse que não tem planos ainda e que pretende descansar
A médica disse que não tem planos ainda e que pretende descansar
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

Ramona, que inicialmente pretendia pedir asilo ao Brasil, optou pelo pedido de refúgio por ter mais chances de êxito, disse à Agência Efe um porta-voz do DEM.

A principal diferença entre asilo político e refúgio é que, no primeiro caso, o requerente deve se sentir perseguido em seu país de origem, enquanto no segundo, sua vida e liberdade precisam de fato estar em perigo no país, por motivos religiosos, raciais ou políticos.

Antes de buscar a ajuda do DEM, a médica tinha acionado, segunda-feira, a embaixada dos EUA em Brasília para solicitar sua inclusão no programa americano que oferece asilo aos cubanos desertores, admitiu Matos em declarações a jornalistas.

A médica faz parte dos cerca de 7,4 mil médicos cubanos que participam do programa do governo brasileiro que prevê a contratação de profissionais estrangeiros para atender áreas pobres do País.

A cubana, que tinha sido enviada a Pacajá (PA), deixou o posto de saúde que atendia e viajou para Brasília para buscar a ajuda prometida pelos dirigentes do DEM aos médicos dispostos a desertar.

A solicitação de refúgio foi apresentada formalmente ontem à noite pelo líder do DEM na Câmara dos Deputados, o deputado Mendonça Filho, perante o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), um organismo vinculado ao Ministério da Justiça.

A entrega da solicitação automaticamente concedeu à cubana o direito a permanecer e trabalhar no Brasil até que o Conare se pronuncie sobre sua situação, o que pode demorar vários meses.

O Ministério da Saúde havia informado pouco antes que precisaria suspender o visto que permite à cubana trabalhar no Brasil, já que foi outorgado exclusivamente para que fizesse isso no marco do programa Mais Médicos.

"Vamos estar atentos ao processo na Conare. Esperamos bom senso e equilíbrio do governo e que se conceda à Ramona a oportunidade de ser reconhecida como refugiada em território brasileiro", afirmou o deputado Ronaldo Caiado, que lidera a campanha para ajudá-la.

Caiado cedeu, nesta terça-feira, seu gabinete no Congresso à cubana, que pretendia permanecer na sede legislativa longe do alcance da polícia federal, mas ontem, após o pedido do refúgio que impede sua deportação, o parlamentar a transferiu para um apartamento de sua propriedade.

"Me sinto mais tranquila agora. Não com o medo que tinha antes", afirmou a médica.

<a data-cke-saved-href="http://noticias.terra.com.br/infograficos/mais-medicos/" href="http://noticias.terra.com.br/infograficos/mais-medicos/">Programa Mais Médicos</a>

Matos denunciou que era vigiada, que suas ligações telefônicas eram escutadas e que agentes da Polícia Federal brasileira chegaram a buscá-la quando se inteiraram de sua intenção de desertar, o que foi desmentido pelo Ministério da Justiça.

A deserção foi justificada pelo DEM pelas supostas condições análogas à escravidão em que os médicos cubanos teriam que trabalhar no Brasil.

A médica alega haver sido enganada pelo Governo cubano por causa do valor de U$ 400 que recebe por seu trabalho no Brasil, apesar do acordo entre ambos governos prever o pagamento de R$ 10 mil (U$ 4.166,7) mensais para cada profissional.

Segundo Matos, o governo cubano lhe informou que outros U$ 600 serão depositados mensalmente em uma conta em Cuba, mas que apenas poderá reclamá-los no final dos três anos do contrato.

A profissional também denunciou que o governo cubano a enganou ao prometer-lhe que poderia trazer temporariamente sua família ao Brasil e disse que vivia melhor com U$ 200 mensais na Bolívia que com U$ 400 neste País, que considerou muito caro.

Matos relatou que seu marido vive nos Estados Unidos e que teme ser detida se retornar para Cuba, ou que sua filha, que permanece na ilha, sofra represálias.

 

 

EFE   
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