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Maia espera que Previdência seja aprovada até junho

Presidente da Câmara disse que maioria dos congressistas reconhece necessidade, mas admitiu que sentimento não é compartilhado pelo País

11 abr 2019
18h34
atualizado às 19h01
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A reforma da Previdência ganhará ímpeto após o feriado da Páscoa e deve ser aprovada na Câmara dos Deputados em maio ou junho, disse o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nesta quinta-feira.

Falando em uma conferência em Nova York, Maia disse que também está otimista de que a proposta que vier a ser aprovada gerará a economia de 1 trilhão de reais em 10 anos pretendida pelo governo. Embora possa ser aprovada entre 15 e 30 dias mais tarde do que se espera, o atraso não importará, afirmou.

A comunicação e o diálogo entre o governo do presidente Jair Bolsonaro e os parlamentares, que até agora têm sido ruins, são cruciais para que o governo consiga a aprovação de sua principal reforma econômica no Congresso, disse Maia. Mas agora que Bolsonaro está conversando com os líderes partidários, o cenário está melhorando.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP)
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Foto: MARCELO CHELLO/CJPRESS / Estadão

"Dialogar, justificar a necessidade da reforma da Previdência, mostrar como ela afetará os negócios no Brasil, o investimento, o emprego, as parcerias público-privadas --é isso o que o governo precisa fazer para que os parlamentares se sintam tranquilos para votar a reforma da Previdência", disse Maia a jornalistas nos bastidores da conferência.

Alguns pontos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma, como mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e nas regras das aposentadorias rurais, provocaram forte repúdio entre os parlamentares. Embora possam ser debatidos intensamente e até modificados, é improvável que estes elementos alterem significativamente a meta final de economia do projeto, segundo Maia.

O deputado espera que o Congresso se envolva em um diálogo "muito positivo" assim que os parlamentares voltarem do feriado da Páscoa, abrindo caminho para um debate final e uma votação em algum momento entre o final de maio e junho.

Uma troca de farpas públicas entre Maia e Bolsonaro chegou a colocar em xeque o andamento da reforma da Previdência e abalou os mercados financeiros. Nesta quinta-feira, Maia disse que a responsabilidade de fazer caminhar a reforma no Congresso é dividida entre o governo e os parlamentares.

O presidente da Câmara disse que a maioria dos congressistas reconhece a necessidade da reforma, mas admitiu que esse sentimento não é compartilhado por todo o país.

A maioria dos brasileiros se opõe a ela, observou Maia, contradizendo o ministro da Economia, Paulo Guedes, que na quarta-feira disse na mesma conferência que a maior parte de seus compatriotas a apoia.

Pesquisa Datafolha divulgada na quarta-feira mostrou que 51 por cento da população rejeita a proposta do governo, que tem o apoio de 41 por cento da população.

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