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Irritado, Maia critica Moro e articulação do governo

Maia voltou a criticar a articulação política da gestão Bolsonaro e disse sentir "muita dificuldade" em tocar a reforma da Previdência

20 mar 2019
20h54
atualizado às 21h00
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Visivelmente irritado num momento em que o governo precisa do Congresso para aprovar a reforma da Previdência, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), evitou comentar o projeto com mudanças na aposentadoria dos militares, criticou ministros e cobrou articulação do governo Jair Bolsonaro.

Um dos alvos de duras declarações foi o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, a quem Maia se referiu como "funcionário" de Bolsonaro.

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, antes de reunião no Congresso Nacional
20/03/2019 REUTERS/Adriano Machado
Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, antes de reunião no Congresso Nacional 20/03/2019 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

Na véspera, Maia suspendeu a tramitação de propostas do pacote anticrime elaborado pelo ministro em um momento em que a Câmara discute a polêmica reforma da Previdência.

Nesta quarta, avisou que o projeto de Moro é um "cópia e cola" de projeto apresentado por seu antecessor na pasta, o hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e será votado no momento "oportuno", após a análise da reforma da Previdência.

"Não, não estou irritado, acho que ele (Moro) conhece pouco a política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro funcionário do presidente Bolsonaro", disse Maia, questionado se estava irritado com o titular da Justiça.

"Então o presidente Bolsonaro é que tem que dialogar comigo. Ele (Moro) está confundindo as bolas, ele não é presidente da República, não foi eleito para isso. Está ficando uma situação ruim para ele, porque ele está passando daquilo que é a responsabilidade dele."

Maia também voltou a criticar a articulação política da gestão Bolsonaro e disse sentir "muita dificuldade" em tocar a reforma da Previdência se o governo não organizar sua base.

"A base é do governo, não é do presidente da Câmara, é do presidente da República", afirmou.

"O presidente da Câmara pauta a matéria. Claro, como eu sou defensor da matéria, eu ajudo. Agora se o presidente da República não organizar a sua base no Parlamento, a gente fica com muita dificuldade", disse.

Como exemplo das falhas de articulação do governo, Maia citou viagem do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, ao Ceará, quando levou apenas um deputado consigo.

"O ministro Canuto foi hoje ao Ceará inaugurar um 'Minha Casa, Minha Vida' com toda a bancada aqui, e apenas um deputado foi com ele", disse.

Para Maia, esse tipo de atitude não ajuda na relação entre o Executivo e os deputados. Seria preciso "estar com os deputados que votam com o governo, mostrar que estão governando juntos", completa.

Maia sugeriu que atos nos Estados sejam feitos às segundas e sextas-feiras para que os parlamentares possam estar presentes sem perder as sessões da Casa.

"Ministro só deve inaugurar obra, no meu ponto de vista, se quer ter uma base, na segunda ou na sexta, para que os deputados possam estar junto com ele", ponderou.

"É esse tipo de sintonia fina que a gente precisa organizar... É esse tipo de articulação que eu acho que o governo ainda peca, mas está caminhando para uma solução", apontou.

CRÍTICAS

O projeto que altera as regras previdenciárias dos militares e reestrutura a carreira das Forças Armadas foi levado pessoalmente por Bolsonaro a Maia nesta quarta.

Ainda que entregue dentro do prazo prometido pelo governo, o projeto levantou algumas críticas sobre a necessidade de equidade de tratamento entre civis e militares e acendeu o alerta para o risco de outras categorias pleitearem condições diferenciadas na reforma da Previdência.

Pouco depois da entrega do projeto, Maia evitou comentar a proposta. Ele deixou a Câmara em direção ao Ministério da Economia e disse que ainda sentaria com técnicos para avaliar o texto.

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