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Governo Lula avalia socorro a Cuba à beira do colapso e sob forte pressão de Trump

Governo brasileiro avalia enviar remédios e alimentos ao país caribenho. Crise energética vem afetando até mesmo o abastecimento de aviões com destino ao país

12 fev 2026 - 19h49
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Crise energética em Cuba fez governo mudar horário de bancos e restringir a venda de combustíveis
Crise energética em Cuba fez governo mudar horário de bancos e restringir a venda de combustíveis
Foto: AFP via Getty Images / BBC News Brasil

O governo brasileiro avalia enviar carregamentos de ajuda humanitária a Cuba em meio ao agravamento da crise energética enfrentada pelo país caribenho depois que os Estados Unidos intensificaram as pressões contra o regime cubano nas últimas semanas.

A reportagem também apurou que uma reunião sobre o assunto foi realizada nesta quinta-feira (12/02), em Brasília, envolvendo a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores.

Uma fonte do governo brasileiro disse à BBC News Brasil em caráter reservado que o Brasil estuda a possibilidade de enviar remédios e alimentos a Cuba, mas que ainda não há uma definição sobre qual o volume dessa ajuda, quando ela será enviada e nem mesmo de que forma essa ela chegaria ao país, uma vez que o governo cubano tem restringido o comércio de combustíveis usados na aviação devido à escassez do produto.

A ajuda humanitária, segundo essa fonte, deverá ser viabilizada pelos ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Agrário (MDA).

De acordo com ela, a interpretação entre integrantes do governo brasileiro é de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer "estrangular" o regime cubano economicamente para forçar uma eventual mudança de regime no país.

Essa fonte disse ainda reconhecer que a questão cubana é uma tema sensível dada a atuação dos Estados Unidos contra o regime cubano e que o governo ainda estuda de que forma vai abordar a crise cubana na visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá fazer ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para março.

Procurados, o Palácio do Planalto, o Ministério das Relações Exteriores, da Saúde e o MDA não responderam às questões enviadas pela BBC News Brasil.

Na semana passada, durante um evento do PT, Lula criticou as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra Cuba.

"Nosso país é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles. E que nós temos que encontrar, enquanto partido, um jeito de ajudar", disse o petista.

O pedido de ajuda cubano ao Brasil ocorre em meio ao agravamento da crise energética em Cuba.

A crise, que era crônica há anos, atingiu novos patamares nas últimas duas semanas depois que o governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de tarifas a países que comercializarem petróleo com o regime cubano e que os Estados Unidos detiveram o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro.

Maduro e o regime cubano eram ideologicamente próximos e a Venezuela dava suporte ao país caribenho enviando petróleo em troca de médicos. As remessas de petróleo venezuelano a Cuba foram interrompidas desde a detenção do líder venezuelano.

Com o agravamento da crise energética, o governo cubano alterou o horário de funcionamento de bancos e impôs restrições ao comércio de combustíveis na ilha, que não possui produção própria de petróleo. Eventos culturais foram cancelados. Nesta semana, autoridades cubanas alertaram companhias aéreas que não há combustível suficiente para reabastecimento no país.

A companhia aérea Air Canada anunciou a suspensão de voos para Cuba, enquanto outras empresas passaram a realizar escalas na República Dominicana antes de seguir para Havana.

Um diplomata ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado disse que uma das alternativas estudadas pelo governo brasileiro é fazer o envio de ajuda humanitária por via aérea. Caso esta seja a opção escolhida, a ideia é que os voos decolem de algum aeroporto na região Norte do Brasil para que as aeronaves tenham capacidade de ir e voltar de Cuba sem precisarem de reabastecimento na ilha.

A crise em Cuba fez com que parte da comunidade internacional se mobilizasse sobre o assunto. Nesta quinta-feira (12/2), duas embarcações da Marinha do México transportando ajuda humanitária atracaram na ilha.

Segundo o governo mexicano, uma das embarcações transportava cerca de 536 toneladas de alimentos, como leite, arroz, feijão, sardinha, produtos cárneos, biscoitos, atum enlatado e óleo vegetal, além de itens de higiene pessoal. A segunda levava pouco mais de 277 toneladas de leite em pó. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que novos envios de apoio estão previstos, apesar da pressão norte-americana.

A ameaça de sanções adicionais por parte de Washington aprofundou as dificuldades de abastecimento energético da ilha.

Raul Díaz-Canel classificou as medidas como um "bloqueio energético". Ele afirma que os impactos atingem transporte, hospitais, escolas, turismo e a produção de alimentos. O turismo, uma das principais fontes de renda da ilha, é um dos setores que mais devem sofrer com os impactos da crise energética.

Caso o Brasil decida pela ajuda humanitária a Cuba, esta não será a primeira vez que o país envia recursos ao país. Em fevereiro de 2024, por exemplo, o Brasil enviou 125 toneladas de leite em pó a Cuba.

Em nota distribuída na época, o governo brasileiro disse que o envio fazia parte de um acordo firmado com Cuba e Emirados Árabes Unidos para a promoção de segurança alimentar na América Latina.

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