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Brasil

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Flávio promete acabar com "entraves ambientais por razões ideológicas"

19 out 2026 - 18h01
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Resumo
Em campanha no Pará, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro prometeu ampla regularização fundiária e o fim de "entraves ambientais por razões ideológicas", afirmando que proprietários poderão usar suas terras livremente. O discurso repete a postura de seu pai, Jair Bolsonaro, cujo mandato registrou recordes de desmatamento na Amazônia e gerou fortes críticas. O posicionamento contrasta com dados recentes do Inpe, que apontam queda histórica e o menor nível de desmate no bioma desde 1988.

O senador e candidato à Presidência ‌Flávio Bolsonaro (PL) prometeu nesta segunda-feira acabar com o que chamou de "entraves ambientais por razões ideológicas" caso seja eleito presidente, e disse que os proprietários de terra poderão fazer o que quiserem em suas propriedades caso ele chegue ao Palácio do Planalto.

Em evento ⁠com apoiadores em Marabá (PA), na região amazônica, Flávio prometeu ainda fazer "a ‌maior regulamentação fundiária" da história do Estado.

"Eu vou fazer a maior regulamentação fundiária que o Pará já viu, a sua ‌terra vai ser sua no papel. ‌Vamos respeitar a propriedade privada, você vai poder plantar, ⁠criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu", afirmou o senador em discurso durante uma motocarreata na cidade.

"Esses entraves ambientais que existem, principalmente por razões ideológicas, a gente vai acabar", afirmou, ‌sem detalhar a quais entraves se referia.

A retórica de Flávio ecoa ‌a defesa que seu ⁠pai, o ⁠ex-presidente Jair Bolsonaro, fez durante seu governo entre 2019 e 2022 de revogação ⁠de parte da regulamentação ‌ambiental que ele enxergava como ‌excessiva, mas que ambientalistas apontam como necessárias para preservar a floresta e o meio ambiente.

Durante uma reunião ministerial em abril de 2020, cuja gravação foi divulgada posteriormente, o então ⁠ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, Ricardo Salles, defendeu aproveitar que as atenções estavam voltadas para a pandemia de Covid-19 e "passar a boiada" para desregulamentar e mudar regras ambientais, no que foi, à época, ‌alvo de críticas de ambientalistas.

O desmatamento da Amazônia, medido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao governo federal, superou ⁠a marca de 10 mil quilômetros quadrados em cada um dos quatro anos do governo Bolsonaro, tendo chegado a 13 mil quilômetros quadrados em 2021, a maior marca em 15 anos. A gestão ambiental do ex-presidente gerou críticas dentro e fora do Brasil.

Na semana passada, o Inpe informou que o desmatamento na Amazônia Legal caiu 42% entre agosto de 2025 e julho de 2026, alcançando 3.335 km², o menor nível registrado desde 1988, quando o governo brasileiro iniciou a coleta de dados. Nos últimos quatro anos, a queda foi de 71,2%.

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