Quem é Marcelo Aguiar, deputado do PL detido após tiro em balada?
Ex-cantor sertanejo e gospel, parlamentar paulista tem trajetória na política desde 2008; episódio em casa noturna será investigado
Marcelo Theodoro de Aguiar, de 53 anos, deputado estadual de São Paulo pelo Partido Liberal (PL), ficou conhecido inicialmente por sua carreira na música. Antes de entrar para a política, ele se apresentou como cantor sertanejo e, posteriormente, passou a investir na música gospel. O parlamentar foi detido na madrugada desta segunda-feira (19), após um disparo de arma de fogo no qual o apresentador Fred Bruno fiu atingido por estilhaços durante uma confusão em uma casa noturna na capital paulista.
O episódio ocorreu no Santo Cupido Bar, na região do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo. Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar, Aguiar foi levado à delegacia, onde prestou depoimento. A arma foi apreendida para perícia, e ele foi liberado.
Quem é Marcelo Aguiar?
Nascido em São Paulo, Marcelo Aguiar começou a carreira artística ainda criança. Aos oito anos, participou de um programa de calouros apresentado por Raul Gil e conquistou o primeiro lugar. Na adolescência e no início da vida adulta, seguiu na música sertaneja e lançou discos. Na ocasião, ele participou de programas de TV, entre eles o "Viva a Noite" e "Sabadão Sertanejo", apresentados por Gugu Liberato nos anos 90.
Em 2000, passou a se dedicar à música gospel após se aproximar do cristianismo. No ano seguinte, lançou o álbum solo Eu Amo Te Amar. Ao longo da carreira religiosa, também ficou associado à Igreja Renascer em Cristo e ao grupo musical Renascer Praise.
A música abriu caminho para que ele construísse uma imagem pública ligada à fé cristã, característica que posteriormente também apareceu em sua atuação política.
Como Marcelo Aguiar entrou na política?
Marcelo Aguiar iniciou sua trajetória eleitoral em 2008, quando foi eleito vereador da cidade de São Paulo pelo então Partido Social Cristão (PSC), com 41.506 votos.
Em 2010, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília, com 98.842 votos. Ele exerceu mandato federal e voltou a ocupar uma cadeira na Câmara como suplente entre 2015 e 2019.
Depois de tentativas eleitorais sem sucesso, chegou à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em janeiro de 2025, como suplente. Em 2026, filiou-se ao PL e concorreu novamente a uma vaga de deputado estadual, mas não conseguiu se reeleger. Recebeu 37.585 votos e ficou na suplência.
Durante sua passagem pela política, Aguiar também se associou a pautas defendidas pela bancada evangélica e a propostas relacionadas à proteção de crianças e adolescentes, ao meio ambiente e ao turismo religioso.
O que aconteceu na balada?
De acordo com informações divulgadas pela imprensa com base no boletim de ocorrência, a confusão começou após um desentendimento envolvendo mulheres que estavam no estabelecimento. Testemunhas relataram que o deputado teria importunado frequentadoras e sido confrontado por outros clientes.
Durante a situação, houve um disparo de arma de fogo. O parlamentar foi abordado por policiais militares e conduzido à delegacia. Imagens divulgadas por emissoras de televisão mostram Aguiar aparentemente alterado e com dificuldades para caminhar.
Segundo a CNN Brasil, ele afirmou que o disparo teria sido acidental. A pistola Glock calibre .380, que estava com o deputado, foi apreendida para perícia.
O apresentador Fred Bruno, da TV Globo, também estava no local e foi atingido no pé por estilhaços, sem ferimentos graves. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do disparo e as responsabilidades envolvidas.
Apesar de ter sido levado à delegacia, Marcelo Aguiar não permaneceu preso, pois não houve flagrante, considerando a imunidade formal prevista para parlamentares e a avaliação inicial de que não havia elementos que indicassem a prática de crime inafiançável.
A imunidade parlamentar não significa que o deputado esteja isento de investigação. O caso será apurado pela Polícia Civil, e a arma permanecerá sujeita à perícia.
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