FAB diz ter repassado controle de voo do 447 a Dakar
A Força Aérea Brasileira (FAB) garantiu ter feito a transferência do controle de voo do avião da Air France para Dakar, no Senegal, negando as informações apontadas pela agência francesa BEA. As investigações apontaram que o procedimento teria sido esquecido no caso do voo 447, atrasando os procedimentos de busca depois que a aeronave caiu no Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo.
Autoridades de aviação afirmam que não é incomum para aviões ficarem sem contato por um determinado tempo enquanto atravessam áreas do oceano como o local onde o avião da Air France caiu. Mas a FAB garantiu que a transferência Brasil-Dacar foi realizada e que as transcrições do procedimento foram enviadas ao BEA.
"O BEA fez uma interpretação preliminar de que talvez o Brasil não tivesse feito a passagem do controle aéreo para Dacar, mas isso foi feito sim", disse o tenente-coronel Henry Munhoz, porta-voz da FAB. "Temos a transcrição disso, que inclusive foi mandada ao BEA. Temos a informação de que Dakar recebeu essa transferência", acrescentou.
Autoridades do BEA disseram que o Brasil enviou uma "mensagem de coordenação" repassando detalhes básicos do progresso do avião, mas não enviaram uma segunda mensagem transferindo formalmente o controle da aeronave. As diferenças sobre a transferência do controle são o segundo desentendimento entre as autoridades de Brasil e França após o pior acidente aéreo do mundo nos últimos oito anos.
O relatório do BEA apontou que o avião da Air France atingiu a água intacto e em alta velocidade, mas ficou seis horas desaparecido até que fosse declarada emergência. Evidências dos destroços indicam que o avião caiu com a barriga para baixo e se partiu quando sofreu o impacto com a água.
O BEA também reiterou que a França ainda não teve acesso às necropsias dos 51 corpos resgatados do mar que são realizadas pelo Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife, o que teria ajudado nas investigações. O chefe da investigação afirmou ainda que as buscas pelas caixas-pretas do Airbus A330 vão continuar até 10 de julho. Os equipamentos emitem um sinal sonoro por um determinado período.
Depois disso, a França vai continuar a vasculhar o fundo do mar com sonares remotos até 15 de agosto. Em comunicado, no qual disse ter acompanhado com especial atenção o primeiro relatório do BEA, a Air France afirmou que "ainda é primordial que se encontrem os registros de voo - as caixas pretas - que permitiriam conhecer as causas deste acidente".
Segundo os investigadores, apesar do acidente, não há dados disponíveis que indiquem a necessidade de manter a frota de aviões Airbus A330 no solo. Reportagens afirmaram depois do acidente que os sensores de velocidade, chamados tubos pitot, teriam repassado informações incoerentes, o que poderia ter afetado outros sistemas e causado a queda.
Outros problemas com sensores de velocidade de aviões A330 foram registrados desde então, incluindo em dois voos recentes nos Estados Unidos, mas as autoridades disseram que até o momento não houve qualquer registro de perda significante de altitude.
Familiares de vítimas do voo AF 447 disseram nesta quinta-feira que desejavam mais informações sobre as mensagens de erro enviadas pela aeronave nos últimos minutos do voo.