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Ex-presidente do BRB atuava como 'mandatário' de Vorcaro, diz Mendonça em decisão

Magistrado do STF autorizou prisão de Paulo Henrique Costa nesta quinta

16 abr 2026 - 11h09
(atualizado às 11h13)
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Ex-presidente do BRB é preso pela PF em fase de operação sobre o Banco Master:

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça justificou a autorização da prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa por indícios de recebimento de R$ 140 milhões em propinas pagas pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Na decisão, o magistrado mostra mensagens entre os dois e afirma que Costa atuava como "mandatário" de Vorcaro. 

"O acervo dos autos revela, assim, fortes indícios de que o presidente da estatal do Distrito Federal, o investigado PAULO HENRIQUE, atuava como um verdadeiro mandatário de DANIEL VORCARO no âmbito do BRB e que, em contrapartida, receberia imóveis avaliados em aproximadamente 150 milhões de reais", afirma Mendonça.

Com isso, o ministro entende que há indícios de que o ex-presidente do BRB cometeu "crime de corrupção passiva, além de revelarem possível participação em lavagem de dinheiro, organização criminosa e ilícitos contra o Sistema Financeiro Nacional.

Trecho de decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou prisão de ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; magistrado classifica Costa como mandatário de Daniel Vorcaro, do Banco Master
Trecho de decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou prisão de ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; magistrado classifica Costa como mandatário de Daniel Vorcaro, do Banco Master
Foto: Reprodução/Globonews

Mensagens entre Costa e Vorcaro

Na mesma decisão, Mendonça mostra uma mensagem de texto do ex-presidente do BRB em que ele pediu a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e protagonista de investigações da Polícia Federal (PF) de um esquema de lavagem de dinheiro, para visitar, junto da esposa, um dos seis apartamentos de luxo pagos como propina

Costa foi preso nesta quinta durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Na decisão que autorizou a ação da PF, consta a reprodução de uma mensagem enviada pelo ex-presidente do BRB a Vorcaro, a quem chama de "amigo".

"Obrigado pela conversa de hoje. A cada passo o caminho está mais claro e estou mais empolgado com o que vamos construir. Além disso, dou muito valor ao alinhamento pessoal e acho que estamos bem alinhados em relação ao trabalho, visão de mundo e perfil", começa Costa.

"Se o Daniel (Monteiro) puder fazer e enviar o contrato, seria ótimo. Conversei com minha esposa e estaremos em SP na próxima semana. Seria legal mostrar o apartamento para ela. Assim, ela também vai se ambientando. Dia 01/03 está logo aí", continua o ex-presidente do BRB. 

Segundo a PF, o nome Daniel citado na mensagem é o do advogado Daniel Monteiro, apontado como "arquiteto jurídico" de Vorcaro e também preso nesta quinta.

4ª fase da Operação Compliance Zero

O ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa recebeu R$ 140 milhões em propina por meio da transferência de seis imóveis de luxo feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, segundo informado pelo jornal O Estado de S. Paulo.  

Policiais federais cumpriram um total de dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, no Distrito Federal e em São Paulo. Segundo a PF, são investigados possíveis crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

De acordo com o blog de Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo, a operação desta quinta foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, após a PF afirmar ter detectado o caminho da propina a Paulo Henrique pela venda do Master ao BRB por meio da aquisição de imóveis.

Paulo Henrique Costa, presidente do BRB afastado pela Justiça
Paulo Henrique Costa, presidente do BRB afastado pela Justiça
Foto: Divulgação/BRB / Estadão

Além de Costa, o advogado Daniel Monteiro, que atuava para o Master, também foi alvo de mandado de prisão por suspeita de montar a estrutura de lavagem de dinheiro para o ex-presidente do BRB.

O ex-presidente do BRB já havia sido alvo da primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado. Na ocasião, Costa foi afastado do comando do Banco.

A defesa de Costa considerou a prisão desta quinta como desnecessária. "Desde a primeira fase da operação, não há notícia de que ele tenha praticado qualquer fato que pudesse atentar contra a instrução criminal, contra a ordem pública, contra a aplicação da lei penal, de maneira que a defesa considera, no primeiro momento, a prisão absolutamente desnecessária", disse o advogado Cleber Lopes a jornalistas em frente ao prédio em Brasília onde Costa mora. 

O Terra tenta contato com a defesa de Monteiro.

(Com informações do Estado de S. Paulo)

Fonte: Portal Terra
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