Ex-goleiro da seleção é condenado a pagar R$ 4,2 milhões a Michel Teló e Thaís Fersoza; entenda
Empresas do ex-jogador Doni acumulam ao menos 29 processos na Justiça dos EUA por quebra de contrato após investimentos não quitados
A Justiça dos Estados Unidos determinou que a empresa D32, do ex-goleiro da Seleção Brasileira Doniéber Alexander Marangon, o Doni, pague US$ 812 mil, o equivalente a R$ 4,2 milhões, a empresas ligadas a Michel Teló e Thaís Fersoza depois que o casal investiu na empresa do ex-jogador e não recebeu o dinheiro de volta.
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Segundo as ações, as empresas ligadas a Teló e Fersoza teriam emprestado US$ 450 mil à incorporadora imobiliária de Doni em 2021, com a promessa de devolução com um ganho baseado em uma taxa de juros anual de 15%. Como os pagamentos não foram realizados dentro dos prazos, o caso foi parar na Justiça.
Segundo documentos divulgados pela EPTV, afiliada da TV Globo, em consulta ao tribunal do Condado de Miami-Dade, os processos contra a companhia, denunciada por quebras de contratos ligados a aportes em empreendimentos, começaram em 2024 e ainda não resultaram na devolução dos valores.
Há pelo menos 29 processos contra a empresa de Doni, que é responsável por captar recursos para a construção de casas em condomínios no estado da Flórida. Além de Teló e Fersoza, outros nomes do esporte aparecem entre os reclamantes, como o jogador Willian Arão, que busca recuperar US$ 200 mil.
No último dia 20 de fevereiro, Doni se manifestou sobre os processos. O ex-goleiro, que jogou no Corinthians, Roma e Liverpool, disse que tem enfrentado desafios por conta do cenário econômico, motivados pela elevação das taxas de juros nos Estados Unidos.
“Esse movimento impactou diretamente o setor imobiliário, com restrição de crédito, aumento relevante dos custos financeiros e pressão sobre o fluxo de caixa de diversos empreendimentos”, disse em comunicado.
Leia abaixo a nota assinada por Doni e divulgada nas redes sociais na íntegra:
Nos últimos meses, surgiram diversas matérias na imprensa nacional a respeito de projetos imobiliários nos Estados Unidos dos quais participei como sócio e investidor. Diante das informações divulgadas, considero importante esclarecer alguns pontos com transparência, responsabilidade e respeito a todos os envolvidos.
Sou sócio, há cerca de oito anos, da D32, incorporadora que atua na região central da Flórida e que, ao longo desse período, já entregou mais de 250 unidades. Trata-se de uma operação estruturada dentro dos padrões do mercado imobiliário norte-americano, com histórico consistente e atuação contínua no setor.
Os desafios enfrentados tiveram início no começo de 2024, em um cenário econômico marcado pela forte elevação das taxas de juros nos Estados Unidos. Esse movimento impactou diretamente o setor imobiliário, com restrição de crédito, aumento relevante dos custos financeiros e pressão sobre o fluxo de caixa de diversos empreendimentos.
Diante desse cenário, meu sócio e eu buscamos alternativas para preservar os projetos e honrar os compromissos assumidos com nossos acionistas. Após meses de trabalho técnico e negociações, em maio de 2025 foi aceita uma proposta de reestruturação conduzida por um fundo investidor, em parceria com uma incorporadora com mais de 25 anos de atuação no mercado norte-americano.
O processo de reestruturação societária e operacional, com nova gestão à frente, está voltado a trazer ainda mais experiência, profissionalismo e robustez à condução dos empreendimentos, incluindo a revisão e renegociação de contratos – um movimento comum, transparente e absolutamente regular dentro do ambiente empresaria norte-americano.
Desde então, essa nova estrutura vem atuando de forma intensiva na reorganização financeira dos projetos e na condução de refinanciamentos, com foco na continuidade das obras, na preservação dos ativos e, principalmente, na proteção dos interessados dos acionistas.
Os ativos já construídos e o valor de mercado dos projetos superam o volume das dívidas existentes, o que afasta qualquer cenário de insolvência. Além disso, a maioria absoluta dos investidores já aderiu ao novo acordo de reestruturação, incluindo todos os ex-atletas envolvidos, com exceção de um investidor que segue em diálogo, em tratativa construtivas.
Reforço que sou, pessoalmente, um dos investidores e tenho recursos próprios aplicados nessa operação. Meu compromisso, portanto, é o mesmo dos demais acionistas: conduzir esse processo de forma responsável até sua conclusão.
Na nova estrutura, os investidores passam a ter participação direta nos projetos, o que reduz riscos, amplia a transparência e fortalece a governança, trazendo mais segurança para os próximos passos.
Minha atuação permanece ativa, contribuindo com suporte estratégico até a finalização de todas as etapas.
Por questões contratuais relacionadas à reestruturação em andamento, não posso prestar informações adicionais neste momento, de forma a preservar o processo e garantir a segurança jurídica de todos os envolvidos.
Reafirmo meu compromisso com a ética, a transparência e o cumprimento das obrigações assumidas. Tenho convicção de que, com responsabilidade, diálogo e trabalho sério, esta etapa será superada, permitindo o avanço dos projetos conforme o planejamento da nova administração.
Agradeço, de forma especial, aos investidores que seguem confiando na condução deste processo, bem como aos amigos e à minha família pelo apoio constante em um momento desafiador.