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Em reviravolta, Corte italiana anula extradição de Carla Zambelli e determina sua soltura

Em março, Justiça havia determinado a extradição da ex-parlamentar ao Brasil. A defesa de Zambelli recorreu e conseguiu reverter a decisão.

22 mai 2026 - 18h21
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A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL)
A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL)
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados / BBC News Brasil

A Justiça da Itália anulou nesta sexta-feira (22/5) a extradição ao Brasil da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL), presa no país desde julho do ano passado.

A decisão foi tomada pela Suprema Corte de Cassação de Roma, que também determinou a libertação imediata da ex-parlamentar. A notícia foi confirmada à BBC News Brasil pelo advogado Fabio Pagnozzi, que faz parte da defesa de Zambelli.

Segundo Pagnozzi, ela foi solta na noite desta sexta. A reportagem ainda não conseguiu verificar essa informação.

Em março, a Corte de Apelação de Roma determinou a extradição da ex-deputada. Mas a defesa recorreu da decisão e conseguiu revertê-la na Corte de Cassação, a última instância da Justiça italiana.

Com isso, a decisão será enviada ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que pode dar um parecer favorável ou contrário à extradição. Ele tem 45 dias para fazer isso.

O pedido de extradição foi apresentado pelo governo brasileiro às autoridades italianas em junho de 2025, quando Zambelli fugiu para a Itália após ser condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ter supostamente ordenado a invasão do sistema de mandados judiciais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o auxílio do hacker Walter Delgatti.

Zambelli passou a ser considerada foragida e teve o nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.

Em 29 de julho deste ano, ela foi presa na Itália por meio de uma cooperação policial internacional entre a Polícia Federal, a Interpol e agências italianas.

A ex-deputada nega seu envolvimento no crime e diz ser vítima de perseguição política.

Zambelli também foi condenada no Brasil por sacar uma arma e perseguir um homem em São Paulo na véspera da eleição presidencial de 2022. Também há um pedido de extradição referente a esse processo, ainda pendente de julgamento.

Ela renunciou ao mandato como deputada em 14 de dezembro, após a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) votar pela sua cassação.

A decisão da comissão chegou a ser revertida pelo plenário da Câmara, mas após anulação da sessão pelo STF, Zambelli apresentou sua carta de renúncia.

Por que Carla Zambelli foi condenada?

Carla Zambelli foi acusada pela PGR de planejar e coordenar, com o auxílio do hacker Walter Delgatti, uma invasão ao sistema do CNJ no início de 2023.

Segundo a denúncia, o objetivo da deputada era incluir alvarás de soltura falsos e um mandado de prisão forjado contra o ministro Alexandre de Moraes.

Delgatti, que confessou o ataque, foi condenado a oito anos e três meses de prisão. Ele afirma ter feito a invasão a mando da deputada.

Os dois foram condenados pela Primeira Turma do STF em maio.

Defesa de Zambelli argumentou que evidências contra ela se baseiam apenas nos depoimentos de Delgatti (foto)
Defesa de Zambelli argumentou que evidências contra ela se baseiam apenas nos depoimentos de Delgatti (foto)
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado / BBC News Brasil

Moraes, relator do caso, votou por sua prisão e foi acompanhado de forma unânime pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

No voto que embasou a condenação, Moraes afirmou que Zambelli atuou de forma "premeditada, organizada e consciente", com a intenção de desacreditar as instituições do Estado democrático de Direito.

"Como deputada federal, portanto representante do povo brasileiro e jurada a defender a Constituição, utilizou-se de seu mandato e prerrogativas para, deliberadamente, atentar contra a credibilidade do Poder Judiciário", escreveu o ministro.

A pena, segundo ele, foi agravada pelo "comportamento social desajustado ao meio em que vive a acusada" e pelo "desrespeito às instituições e à democracia".

Zambelli negou envolvimento nos crimes e afirmou que não há provas que a conectem diretamente à invasão.

Ela também acusou Delgatti de ser um "mentiroso patológico" que alterou sua versão dos fatos em pelo menos seis depoimentos.

"A própria Polícia Federal, quando esteve na casa dele, o classificou como mitômano, que mente e inventa histórias", afirmou.

A defesa da parlamentar argumentou que a condenação se baseou exclusivamente nos depoimentos de Delgatti, que seriam contraditórios e imprecisos.

No caso da segunda condenação na Justiça, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, foi fixada pena de 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa.

Zambelli deixou o Brasil após sua prisão ser determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.

A ex-deputada argumentava que estaria protegida de ser extraditada por ter cidadania italiana. Seu nome estava na lista de procurados da Interpol, e o Ministério da Justiça também pediu sua extradição.

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