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Elevado da Perimetral será interditado para demolição que ainda divide opiniões

Viaduto do Rio de Janeiro será interditado neste sábado. Demolição será a partir do dia 17 e ainda divide opiniões de quem vive e trabalha na região

2 nov 2013
09h24
atualizado em 4/11/2013 às 10h08
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<p>Avenida Rodrigues Alves, com o Museu de Arte do Rio (MAR), à esquerda: via será interditada dias antes do início da demolição</p>
Avenida Rodrigues Alves, com o Museu de Arte do Rio (MAR), à esquerda: via será interditada dias antes do início da demolição
Foto: Mauro Pimentel / Terra

Por mais que o prefeito Eduardo Paes (PMDB) e seus secretários deem declarações a todo momento e os mais diversos especialistas de engenharia opinem, é para quem vive e trabalha na região portuária do Rio de Janeiro que fica a maior dúvida: como será a vida, o trânsito e as condições de trabalho a partir das 19h deste sábado, quando a prefeitura vai inaugurar a nova Via Binária do Porto e fechará, de vez, o elevado da Perimetral, no trecho entre o Armazém 6, na praça Mauá, e o Gasômetro?

A reportagem do Terra percorreu a região portuária e conversou com personagens que há muitos anos não só circulam pela área, agora em processo de revitalização, como também assimilaram a degradação local anterior, com o abandono de prédios e armazéns, e agora vivem a expectativa pela principal intervenção local, que já causa enormes retenções no trânsito de quem faz o trecho entre a rodoviária Novo Rio e o aeroporto Santos Dumont. 

A partir do dia 17 de novembro, a Perimetral começará a ser demolida - três dias antes, a avenida Rodrigues Alves, que passa por baixo do elevado, será interditada nos preparativos para a implosão. Pneus recheados de areia junto com estacas já estão sendo dispostos abaixo do elevado como forma de conter o impacto da demolição e minimizar qualquer tipo de dano estrutural aos imóveis da região. 

"Todo dia está isso aqui, não aguento mais, sou contra", confessou o motorista de ônibus Paulo Corrêa, engarrafado com seu coletivo na mesma avenida Rodrigues Alves, no trecho que faz há cinco anos da Baixada Fluminense até a praça Mauá. "Está muito difícil andar pela região, fizeram outra rua aí, mas no domingo ficou trânsito também. Quero só ver como vai ser", duvidou. 

A avenida citada por Corrêa trata-se da Via Binária do Porto - paralela à Rodrigues Alves e à própria Perimetral -, que já tem trecho concluído e servirá como alternativa parcial, uma vez que toda sua extensão, até o Aterro do Flamengo, terá trecho subterrâneo que ficará pronto somente no final de 2015. No total, a nova construção cinco mil metros de extensão, sendo 3,5 mil metros de túnel.

Junto a isso, ocorrerá a implantação do sistema de veículos leves sobre trilhos (VLT), a revitalização da Via Expressa, a nova Rodrigues Alves, além da avenida Oscar Niemeyer, também em construção para ser alternativa ao trânsito na região. 

"Vai ficar mais bonito, não tem como negar. Assim como não tem como evitar esse trânsito todo", explicou o taxista Geraldo Rodrigues Silva, há 15 anos trabalhando num ponto no início da avenida Rio Branco, bem ao lado da praça Mauá. Ele segue a linha de discurso do prefeito Eduardo Paes, que implementa desde o início do seu primeiro mandato uma série de intervenções na região portuária como forma de reverter o abandono de anos do local de chegada de milhares de turistas que desembarcam de cruzeiros, no porto, para conhecer a capital fluminense. 

"Muita gente circula por aqui, mas precisa ter paciência. O trânsito está ruim? Está. O passageiro pede para a gente ir até a rodoviária, e aí bate aquele desespero de ficar preso no trânsito, mas vou fazer o quê? Não vou levar o cara? Aguento o engarrafamento, contanto que tudo fique pronto e bonito", completou. "É pela modernidade da cidade." 

Professora de uma faculdade na região do centro e do Estácio, na Tijuca, onde a prefeitura já instalou um novo corredor de ônibus (BRS) para diminuir os impactos das seguidas intervenções portuárias, Marisa de Paula Cardoso concorda "que tudo isso daqui estava feio demais". Para isso, ela deixou o carro em casa e está usando o transporte público para se deslocar para a região. 

"Deixei em casa. Não quero ficar submetida. Tem que ter paciência, então vou contribuir e usar o transporte público", admitiu. Entre outras decisões, a secretaria municipal de Transportes retirou mais de 1 mil vagas no centro para os veículos e ainda instalou uma faixa reversível na avenida Presidente Vargas para atenuar os engarrafamentos, ainda inevitáveis.

Existe ainda a expectativa que a nova estação das Barcas, na praça Araribóia, em Niterói, possa absorver mais passageiros que optem em fazer o trajeto pela baía de Guanabara - evitando, assim, sair da ponte Rio-Niterói diretamente para o tráfego intenso da região. 

Ismael Albino Raimundo tem uma banca de jornal há 35 anos na praça Mauá. "Não aguento mais poeira", reclamou. Ele se diz contra as intervenções na região que, na sua opinião, "são apenas para navio, para os turistas chegarem aqui". "Esse museu aí serve para quê?", perguntou, sobre o Museu de Arte do Rio (MAR), inaugurado em março deste ano. "Aqui não é lugar para show, museu, nada. É para os navios. Estão fazendo essas coisas todas apenas para os magnatas", reclamou.

Rogério Gomes, por sua vez, comerciante há dois anos na rua Venezuela, via que tem ligação final com o início da avenida Rio Branco, se mostra satisfeito com as obras que, "no final de contas, vão trazer muita modernidade à cidade". "Essa região estava largada, era terrível andar à noite por aqui. Só acho que está faltando mais sinalização, o pessoal está muito confuso", opinou. 

A prefeitura do Rio de Janeiro, que vem fazendo seguidos testes nos últimos dois finais de semana, intercalando o fechamento parcial do elevado da Perimetral com a abertura da Via Binária do Porto, já anunciou que aumentará o número de placas luminosas de avisos e de fiscais de trânsito. Nada, porém, que satisfaça o taxista José Marcos da Silva, há mais de 30 anos fazendo ponto na praça Mauá. 

"Até agora só fizeram o fechamento em feriado e final de semana, ainda nem se teve a ideia certa do caos que vai ser isso aqui", previu. "É um impacto muito grande e sou contra a demolição. Já não dava para a gente andar direito aqui, agora com essas obras. Por que não se gasta todo esse dinheiro com hospitais? Vai derrubar porque é feio? Mas é um feio que resolve", finalizou.  

Fonte: Terra
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