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Eleições 2018: TSE divulga vídeo para mostrar que são falsas imagens de 'fraude' em urnas

Filho do presidenciável Jair Bolsonaro divulgou vídeo em que foto de Fernando Haddad apareceria na urna logo após de eleitor apertar o "1"; segundo Justiça Eleitoral, acusações são falsas.

7 out 2018
16h09
atualizado às 16h31
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Em meio à votação deste domingo, vídeos apontando suposta fraude nas urnas eleitorais passaram a circular nas redes sociais. No entato, as imagens são falsas, informou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

'Fraude' em urna é imagem falsa, afirma TSE, que fez vídeo para rebater imagens
'Fraude' em urna é imagem falsa, afirma TSE, que fez vídeo para rebater imagens
Foto: Reprodução / BBC News Brasil

"Vídeo e mensagens em redes sociais e app de bate-papo sobre processamento dos votos na urna antes da tecla 'confirma' SÃO FALSOS", publicou o TSE no Twitter, compartilhando uma nota emitida pelo Tribunal Regional de Minas Gerais (TRE-MG).

O primeiro vídeo em questão foi divulgado nas redes sociais por, entre outras pessoas, Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), candidato ao Senado e filho do presidenciável Jair Bolsonaro. As imagens mostram uma pessoa digitando o número "1". Em seguida, antes de digitar o "3", surgiria a foto do candidato presidencial Fernando Haddad (PT). O vídeo não foi feito em plano aberto, e por isso não mostra toda a urna eletrônica.

"Está acontecendo diante de nossos olhos. Aperta a tecla "1" para presidente e aprece o indicado do presidiário! Quem souber onde aconteceu isso, favor me enviar zona e seção. @TSEjusbr", escreveu Bolsonaro.

Segundo o texto publicado pelo TRE de Minas, esse vídeo mencionado por Flavio Bolsonaro é falso. "Os vídeos não mostram o teclado da urna, onde uma pessoa digita o restante do voto. Não existe a possibilidade de a urna autocompletar o voto do eleitor, e isso pode ser comprovado pela auditoria de votação paralela, nos mesmos vídeos abaixo."

O TRE também publicou no YouTube uma explicação dada por um técnico de edição de vídeos, afirmando que o vídeo compartilhado nas redes sociais é forjado - há dois cliques antes de aparecer a imagem do candidato petista. Segundo sua análise, há dois barulhos de clique no teclado - ou seja, não teria havido apenas clique no "1" - indicando que o segundo número foi digitado por outra pessoa.

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, determinou que o Ministério Público e a Polícia Federal apurassem o caso. "Ministério Público Federal e Policia Federal já estão acionados. Não sabemos sequer se essa urna existe, se a imagem corresponde à realidade", disse Weber.

Outro filho de Bolsonaro, o candidato a deputado federal por São Paulo Eduardo Bolsonaro (PSL) pediu fotos e filmagens de urnas que estariam com problemas. "Prezados, em caso de problemas com as urnas, filmem, de preferência gravem lives e falem o Estado, zona e seção onde está ocorrendo o problema".

No entanto, fotografar ou filmar a urna eletrônica é crime, por violar o sigilo do voto, segundo o Código Eleitoral. A lei estabelece que é proibido "portar aparelho de telefonia celular, máquinas fotográficas e filmadoras, dentro da cabina de votação".

Além disso, a pena para quem viola ou tenta violar o sigilo do voto é de até dois anos de prisão.

A norma visa impedir a coação de eleitores - para que não sejam obrigados a fotografar seu voto e provar que votaram em determinado candidato.

Sobre a possibilidade de Flavio Bolsonaro ter divulgado notícia falsa, o vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Medeiros, disse que isso poderá ser apurado após a eleição pelo Ministério Público.

Revólver na urna

Também circulam nas redes sociais fotos de revólveres em frente ao que seriam urnas eleitorais.

Um vídeo mostra um eleitor usando o cano do revólver para digitar o número 17, de Bolsonaro.

Consultado pela BBC News Brasil, o TSE disse que até 14h deste domingo não havia registro de caso do tipo.

Um usuário publicou no Twitter foto de um revólver em cima de uma urna, com a foto de Jair Bolsonaro e seu candidato a vice, general Hamilton Mourão, às 10h46 deste domingo, com a frase "Chupa PT, Aqui és RS". O tuíte, publicado de Cachoeira do Sul, do Rio Grande do Sul, teve 1,510 curtidas e 638 retuítes.

Usuário publicou foto de revólver em cima da urna; circula também um vídeo de uma pessoa usando o cano de um revólver para digitar o número "17", de Bolsonaro, na urna
Usuário publicou foto de revólver em cima da urna; circula também um vídeo de uma pessoa usando o cano de um revólver para digitar o número "17", de Bolsonaro, na urna
Foto: Reprodução/Twitter / BBC News Brasil

A BBC News Brasil falou com o usuário, que também havia publicado a foto em seu perfil de Facebook.

"Eu recebi e achei interessante. A arma para nós, no Rio Grande do Sul, é algo tradicional. Assim como o churrasco, o chimarrão", disse Manoel Delci, de 42 anos, proprietário de uma empresa de tele-entregas. Ele afirmou não ter sido o autor da foto. Disse ter recebido em um grupo de WhatsApp - "não sei te dizer qual, faço parte de diversos grupos" - e então ter publicado no Twitter.

"Eu achei interessante, por mais que seja crime, por mais que não concorde com quem tirou a foto. Não é ameaça, é uma maneira de se expressar, de dar um adeus, dar um basta a toda essa roubalheira absurda. De forma alguma é ameaça, não é minha índole." Delci tem fotos em seu Facebook com um bastão escrito "direitos humanos".

Logo depois de falar com a BBC News Brasil, por volta das 13h, ele deletou as fotos do Twitter e do Facebook.

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