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Do banco traseiro ao palco: motorista de aplicativo transforma carro em karaokê

Corridas ganham trilha sonora, microfone e direito a escolher a música: o deslocamento pela cidade se tornou uma experiência digna de show

5 set 2026 - 04h58
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'Todos os dias, pelo menos um passageiro canta. Acredito que é uma forma de mandar embora o estresse', diz Henrique Braga
'Todos os dias, pelo menos um passageiro canta. Acredito que é uma forma de mandar embora o estresse', diz Henrique Braga
Foto: Arquivo Pessoal

Já imaginou ir do Paraíso à Consolação, pela avenida Paulista, cantando Evidências ou enfrentar o trânsito caótico da avenida Faria Lima na hora do rush dividindo o microfone com as amigas para cantar Lua de Cristal? Pois bem, isso é possível. O motorista de aplicativo Henrique Braga, de 34 anos, decidiu transformar o próprio carro em uma espécie de karaokê sobre rodas. Em vez do tradicional silêncio entre condutor e passageiro, o veículo ganhou música, cantoria e, dependendo da disposição de quem está no banco traseiro, até apresentações improvisadas.

 

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A ideia é simples: tornar uma corrida que normalmente seria apenas um deslocamento em uma experiência diferente. O passageiro escolhe a música, acompanha a letra e pode soltar a voz durante o trajeto. Braga, além de conduzir, assume o papel de DJ e anfitrião da brincadeira. “Todos os dias, pelo menos um passageiro canta. Acredito que é uma forma de mandar embora o estresse”, diz.

“Quando entram no carro, as pessoas ficam observando. A princípio, os passageiros acham que é cobrado, mas quando digo que é de graça, eles se animam e soltam a voz”, relata.

Uma corrida que virou programa

O conceito brinca com uma situação bastante comum para quem utiliza aplicativos de transporte: passar alguns minutos dentro de um carro com um desconhecido. Em vez de tratar esse tempo como um intervalo entre dois pontos da cidade, o motorista resolveu transformá-lo em entretenimento.

“Duas mulheres, na faixa dos 50 anos, estavam voltando de uma festa e me pagaram para ficar mais meia hora com elas circulando pela cidade”, relata. “Outra vez, em um fim de noite, entraram quatro pessoas, que quando começaram a cantar, se empolgaram e pediram para mudar o destino e fomos para o litoral do Estado.”

O repertório pode passar por diferentes estilos, dependendo do gosto de quem embarca. Braga conta que há músicas para os mais diversos estilos, mas as mais pedidas são os reconhecidos clássicos de karaokês.

“A mais tocada é Infiel, da Marília Mendonça, que toca muito na saída de balada, de madrugada, e a maioria que canta é mulher. Já em segundo lugar fica Coração Partido, do grupo Menos é Mais”, diz. “Já o grande clássico Evidências continua em alta, no top cinco. Não é a primeira porque acho que saturou.”

A transformação do automóvel em karaokê também revela uma mudança na maneira como serviços aparentemente comuns podem criar experiências para o consumidor. Aplicativos de transporte costumam ser associados à praticidade, preço, tempo de espera e avaliação. Mas, dentro do carro, existe outro elemento difícil de medir: a experiência. Braga relata que fez algumas adaptações no veiculo para implantar o karaokê e deixar a experiência mais privativa. “No meu carro, todo o sistema de som e de iluminação está voltado para dentro, de fora ninguém sabe o que acontece”, detalha.

Mais do que oferecer música, o motorista criou uma situação em que o passageiro é protagonista. “Adoro karaokê, mas não sou bom cantando. Brinco que quando o pessoal está no carro, eu dou uma de Marrone [da dupla com Bruno] e fico só de segunda voz”, partilha.

O motorista avisa que a dinâmica do Karaokê não tira sua atenção na condução.  “Estou tão acostumado com a loucura de São Paulo, que eles cantando ou moto buzinando é a mesma coisa para mim, no sentido de que não perco o foco da direção.”

Dessa maneira, o motorista encontrou um jeito inusitado de transformar o tempo gasto no trânsito em entretenimento, e diz estar disponível para corridas particulares, basta chamar no Instagram (@oke.uber). Segundo ele, a pergunta mais importante depois de “para onde você vai?” é “qual música você quer cantar?”

Fonte: Portal Terra
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