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Dilma condena grampos e defende Justiça apolítica

18 mar 2016 13h27
| atualizado às 13h42
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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Em discurso na Bahia, presidente diz que "politização" do Judiciário representa "volta atrás na roda da história". Segundo ela, medida tomada pelos investigadores feriu a lei de segurança nacional.

A presidente Dilma Rousseff voltou a criticar nesta sexta-feira (18/03) a interceptação feita pela Polícia Federal de conversas dela com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ela, a "politização" do Judiciário representa uma "volta atrás na roda da história".

"A Justiça não pode ser política, nem tampouco pode ser politizada a polícia", disse Dilma em discurso em cerimônia para entrega de residências do programa Minha Casa Minha Vida em Feira de Santana, na Bahia. "Nada nem ninguém pode defender uma Justiça ou uma polícia que seja a favor de alguém por critério político."

Sem citar nomes, Dilma também voltou a criticar a decisão do juiz federal Sérgio Moro de autorizar a divulgação de conversas telefônicas dela com Lula, interceptadas como parte das investigações da operação Lava Jato, que tem Lula como um dos alvos.

"Em muitos lugares do mundo, quem grampear um presidente vai preso, se não tiver autorização judicial da Suprema Corte. Vou dar um exemplo para vocês: grampeia o presidente da República nos Estados Unidos e veja o que acontece com quem grampear. É por isso que eu vou tomar todas as providencias cabíveis nesse caso", afirmou.

“O meu governo garantiu a autonomia para a Polícia Federal investigar quem fosse necessário, o meu governo respeita o Ministério Público e respeita o Judiciário. Agora, nós consideramos uma volta atrás na roda da história a politização de qualquer um desses órgãos”, acrescentou.

Segundo defendeu Dilma, o cargo de presidente não é passível de grampo, e a medida tomada pelos investigadores feriu a lei de segurança nacional.

Lula divulga carta aberta

Em carta aberta ao país divulgada na quinta-feira, Lula expressou "inconformidade" com a divulgação dos grampos telefônicos da Operação Lava Jato.

"Sob o manto de processos conhecidos primeiro pela imprensa e só depois pelos diretamente e legalmente interessados, foram praticados atos injustificáveis de violência contra minha pessoa e de minha família", escreveu no texto publicado pelo Instituto Lula.

Em referência ao juiz federal Sérgio Moro, Lula afirma que "agentes do estado" violaram direitos fundamentais ao divulgar as interceptações telefônicas.

A divulgação dos grampos, recebida como uma bomba no meio político brasileiro na quarta-feira, levantou uma série de dúvidas sobre a atuação do juiz Moro, que analisa os casos da Lava Jato, e se o que foi revelado nos diálogos pode comprometer Dilma.

Em questão, sobretudo, está se Moro se excedeu ao divulgar os grampos envolvendo conversas do ex-presidente Lula; se parte desses grampos foi obtida ilegalmente; e se eles registram algum crime cometido pela presidente Dilma Rousseff.

 

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