Dia do Diplomata: saiba como seguir a carreira e onde atuar
Profissionais podem mediar relações entre países e atuar como difusores da cultura brasileira
Mais comum do que se imagina, a perda de documentos no exterior movimenta as embaixadas brasileiras. Mas você tem ideia de toda a trajetória pela qual o responsável por emitir seu novo passaporte passou? Inglês, francês e espanhol é o mínimo que uma pessoa precisa saber para ser um diplomata - não é à toa que existe uma data só para homenageá-lo. Nesta segunda (20), se comemora o Dia do Diplomata.
Lidando, principalmente, com interesses brasileiros no campo internacional, os diplomatas tratam desde paz e segurança até normas de comércio e relações econômicas e financeiras. Além disso, podem mediar relações no campo dos direitos humanos, meio ambiente, tráfico de drogas e fluxos migratórios.
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O profissional pode atuar em várias frentes. No setor político, por exemplo, monitora e relata à Secretaria de Estado das Relações Exteriores sobre as áreas social, política e econômica do país em que se encontra, com o intuito de auxiliar no processo de decisão da política externa. Já no setor comercial, promove os interesses do Brasil no mundo, prestando apoio aos exportadores brasileiros na promoção de seus produtos e serviços no exterior.
No ramo cultural, divulgar os valores brasileiros no país em que se encontra, trabalhando em conjunto com mídias, formadores de opinião e produtores culturais também faz parte da carreira diplomática. Mais conhecidas, as atividades consulares promovem a assistência e proteção aos cidadãos brasileiros que se encontram no exterior. Há também os que gerenciam os postos no exterior, cuidando da manutenção do patrimônio e do planejamento orçamentário e financeiro.
Mas para ser diplomata não precisa, necessariamente, sair do Brasil: o profissional pode, também, trabalhar em Brasília ou em um dos escritórios de representação regional do Itamaraty. Na capital federal, por exemplo, ele é responsável por acompanhar os acontecimentos políticos, econômicos e sociais de países de determinada região ou continente, mantendo contato com as missões brasileiras nesses países e com suas embaixadas no Brasil. No ramo das negociações, acompanha a evolução de temas da agenda internacional, como meio ambiente e direitos humanos, e auxilia a traçar as diretrizes e a executar a promoção comercial ou cultural.
O diplomata ainda pode trabalhar na administração do Ministério de Relações Exteriores e na gestão dos postos no exterior. É responsável por administrar as finanças, o pessoal, licitações e contratos, a manutenção do patrimônio do Itamaraty e acompanhar a administração das missões brasileiras no exterior.
Jovem estuda até 10 horas diárias
No Brasil, a carreira diplomática inicia com o ingresso no Instituto Rio Branco, órgão encarregado da seleção, treinamento e aperfeiçoamento desses profissionais. Anualmente, é realizado um concurso com 30 vagas. Diretor do instituto, Gonçalo Mourão aponta que, em 2014, cerca de seis mil candidatos participaram da seleção. Ainda não há data para o concurso deste ano, mas ele deve acontecer ainda no primeiro semestre.
Mudar-se para o Rio de Janeiro, onde há um cursinho específico para passar no concurso do Rio Branco, foi a alternativa encontrada por Augusto Gavioli, 24 anos. A ideia de buscar a carreira diplomática surgiu no último ano do ensino médio. “Sempre tive o sonho de unir o aspecto profissional da minha vida com a oportunidade de conhecer novas culturas e, principalmente, poder contribuir com o meu país”, conta. A ideia se concretizou após um intercâmbio estudantil antes de entrar na faculdade. Foi durante o tempo que passou fora do país que escolheu a graduação: relações internacionais.
Gavioli tem aulas regulares pela manhã e estuda durante as tardes e noites. Nesse tempo, faz um fichamento das leituras recomendadas e revisa o conteúdo apresentado. Diariamente, o tempo em cima dos livros varia de 8 a 10 horas. “Encontrar um ritmo de estudos leva tempo, e considero importante reservar um tempo para refeições e descanso, para conseguir manter o ritmo constante”, relata. Ele deseja trabalhar com assuntos estratégicos, conflitos internacionais e operações de paz da Organização das Nações Unidas (ONU).
Como passar?
Se você cursou educação física, mas deseja se tornar um diplomata, não tem problema: graduados em qualquer curso superior podem ingressar no Instituto Rio Branco. Por isso, não há um perfil específico para quem deseja atuar na carreira. “Precisa ter uma grande capacidade de adaptação e compreensão para trabalhar com diversas culturas”, diz Mourão.
Além de ter conhecimento de inglês, francês e espanhol - presentes na literatura do curso -, é recomendado, ainda, árabe, russo e chinês - línguas faladas nos principais países que mantêm relações com o Brasil. Para Mourão, é essencial focar no conteúdo exigido pelo edital. A diferença na pontuação das pessoas que passam ou não é pequena, por isso, caso não dê certo, não é motivo para desistir. “Eu fui passar só na quarta vez que fiz o concurso”, conta.
Professor do Gran Cursos, Abel Mangabeira afirma que o concurseiro deve planejar a preparação para o concurso, definindo o tempo para os estudos e a prática de provas. Aprender a administrar a ansiedade e o tempo do exame é um ponto essencial. Para isso, o ideal é fazer simulados e controlar o tempo e realizar outros concursos, para treinar.
Sandro Vieira, que também dá aulas na instituição, sugere que os alunos foquem no aprendizado de doutrinas e jurisprudência. Já na redação, é ideal que o futuro diplomata fique atento às notícias internacionais e nacionais e leia jornais e revistas especializados na área. Como em qualquer concurso, alcançar um bom desempenho na redação é fundamental para conseguir uma das vagas. Para treinar o vocabulário, a dica é assistir a filmes e séries dublados com legendas em outras línguas. Dessa forma, até mesmo o tempo de lazer pode ser usado para adquirir conhecimento para a prova.