DESTAQUES-Compra de apoio não era desconhecida, diz relator do mensalão
BRASÍLIA, 17 Set (Reuters) - O relator da ação penal do chamado mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, iniciou a leitura do seu voto sobre a questão relativa à corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro, no início do julgamento dos réus integrantes do chamado "núcleo político" do suposto esquema.
São 23 acusados neste item, o quarto a ser analisado, entre eles o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro da sigla Delúbio Soares. Esta questão pode comprovar o uso de recursos ilícitos para a compra de apoio político no Congresso.
Veja abaixo algumas falas de Barbosa durante o seu voto.
SOBRE O SUPOSTO ESQUEMA
"A compra de apoio político de deputados pelo governo federal não era desconhecida. Desde 2003 era alvo de comentários por deputados", disse Barbosa ao citar depoimento do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que disse que os comentários eram "sorrateiros".
"Os parlamentares beneficiados pelo pagamento em dinheiro em espécie eram responsáveis pela condução de votos de vários outros correligionários."
"Os pagamentos de dinheiro em espécie tiveram o poder de influenciar diversos atos de ofício... o que conferiu facilmente maiorias favoráveis aos interesses dos corruptores."
SOBRE O ARGUMENTO DA DEFESA
"Vimos que as explicações dos acusados variaram desde tentativas de desqualificar os primeiros acusadores até chegar-se à atual versão de caixa dois de campanha. Essa versão não interfere... já que também configura ajuda indevida."
"Apesar de as defesas pretenderem afirmar que o chamado mensalão foi uma invenção de (Roberto) Jefferson para se defender de acusação de cobrar propina nos Correios... as acusações do ex-parlamentar estão muito distantes de mera vingança política, ainda que esta pode ter sido sua motivação inicial."
SOBRE VALORES REPASSADOS AO PP
"Os parlamentares prestaram seu apoio ao governo na Câmara influenciados por esses pagamentos... Os partidos eram opositores."
"É evidente o potencial exercido pelos pagamentos sobre as manifestações dos parlamentares beneficiados."
(Reportagem de Hugo Bachega e Ana Flor)