Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

CPMI do INSS aprova quebra de sigilo bancário de Lulinha em sessão tumultuada: o que se sabe sobre acusações contra filho do presidente

Ex-funcionário do INSS teria dito à Polícia Federal que filho de Lula recebia 'mesada' de Antônio Carlos, o 'careca do INSS', que é acusado de ser o operador das fraudes

26 fev 2026 - 14h26
(atualizado às 18h27)
Compartilhar
Exibir comentários
Parlamentares entraram em confronto após CPMI aprovar quebra de sigilo de Lulinha
Parlamentares entraram em confronto após CPMI aprovar quebra de sigilo de Lulinha
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado / BBC News Brasil

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura um esquema bilionário de fraudes no sistema do INSS aprovou nesta quinta-feira (26/2) a quebra de sigilo bancário e fiscal do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha".

Depois da aprovação, parlamentares chegaram a entrar em confronto e houve empurra-empurra.

A oposição questionou o resultado, apontando suposto erro na contagem de votos durante a votação simbólica. Após o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), rejeitar o pedido de anulação, a bancada governista levou a solicitação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas sua decisão ainda não foi divulgada.

A quebra de sigilo foi aprovada para apurar suposta ligação de Lulinha com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "careca do INSS".

Em dezembro, quando a Polícia Federal realizou uma nova fase da operação 'Sem Desconto', foram revelados pagamentos que somam R$ 1,5 milhão feitos por ordem de Antunes a uma empresária próxima do filho do presidente.

A empresária é Roberta Luchsinger e, na época, foi alvo de um dos mandados de busca e apreensão. A mesma operação resultou na prisão do "número 2" do Ministério da Previdência, Adroaldo da Cunha Portal. O senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, também foi alvo de mandados de busca e apreensão.

Uma das transferências feitas a Luchsinger, no valor de R$ 300 mil, foi citada em mensagens que constam na investigação da PF nas quais Antunes afirma que o dinheiro seria destinado ao "filho do rapaz". Segundo o jornal Folha de S.Paulo, os investigadores tentam esclarecer se a referência diz respeito a Lulinha.

Até aquele momento, o filho do presidente não era investigado no caso.

Questionado sobre o assunto em dezembro, Lula declarou que "todas as pessoas envolvidas" no esquema de desconto ilegal de benefícios do INSS seriam investigadas.

"Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado", afirmou.

As investigações apontam que Antunes era um dos principais operadores do esquema e atuava como intermediário entre sindicatos e associações e servidores do INSS, recebendo valores descontados indevidamente de aposentados e pensionistas e repassando parte dos recursos a funcionários do instituto, familiares e empresas ligadas a eles.

Segundo a Polícia Federal, pagamentos feitos por ordem de Antunes foram destinados à empresa RL Consultoria e Intermediações, que tem Luchsinger como sócia.

Os repasses teriam partido da Brasília Consultoria Empresarial Ltda., apontada como empresa de fachada ligada ao grupo de Antunes, e teriam como justificativa serviços que não foram efetivamente prestados.

A investigação da PF aponta que a empresária atuaria como integrante vinculada ao núcleo político da organização criminosa investigada, com papel considerado essencial na ocultação de patrimônio, na movimentação de valores e na gestão de estruturas empresariais usadas para lavagem de dinheiro.

A investigação também aponta que ela seria um dos elos entre Lulinha e Antônio Carlos Camilo Antunes em projetos na área da saúde.

Em mensagens analisadas pela PF, Luchsinger relata a Antunes que "acharam um envelope com nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão" e o orienta a se desfazer de telefones. Em outro momento, envia um áudio tentando tranquilizá-lo e menciona que, "na época do Fábio", também teriam surgido acusações semelhantes, ligadas à empresa Friboi.

Lulinha (ao centro, de blusa preta) é o filho mais velho de Lula
Lulinha (ao centro, de blusa preta) é o filho mais velho de Lula
Foto: AFP via Getty Images / BBC News Brasil

Quando as novas informações surgiram em dezembro, a CPMI do INSS havia rejeitado a convocação de Lulinha para prestar esclarecimentos duas semanas antes.

O requerimento havia sido apresentado por parlamentares do partido Novo, que alegaram haver indícios financeiros de uma possível ligação entre operadores do esquema e pessoas próximas ao presidente da República, entre elas o filho de Lula.

O pedido já estava previsto na pauta da CPMI, mas ganhou força após os integrantes da comissão terem acesso ao depoimento de uma testemunha que afirmava que Lulinha teria recebido uma "mesada" de Antunes, que foi preso em setembro.

Apesar da pressão da oposição, a base governista conseguiu barrar a convocação no início de dezembro. O requerimento foi rejeitado por 19 votos a 12.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social, afirmou que o pedido estava fora de propósito e que não havia provas que ligassem Lulinha ao esquema.

Em outubro, a CPMI já havia rejeitado a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula. Ele foi vice-presidente do Sindnapi, entidade investigada no caso, mas não é alvo das apurações da Polícia Federal.

Acusações na CPMI

Em dezembro, o pedido de convocação, assinado pelos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Eduardo Girão (Novo-CE), Adriana Ventura (Novo-SP) e Luiz Lima (Novo-RJ), alegava que ouvir Lulinha era essencial para esclarecer "eventual uso de sua estrutura contábil ou possível ligação indireta com o esquema".

Segundo o jornal O Globo, o gatilho para o pedido foi a revelação de que Ricardo Bimbo, dirigente nacional do PT, teria recebido dinheiro de uma das empresas investigadas.

No mesmo período, ele teria quitado um boleto do contador João Muniz Leite, responsável pelas contas de Lulinha.

A pressão para convocar o filho de Lula aumentou após a CPMI tomar conhecimento do depoimento de Edson Claro, ex-funcionário do INSS, à Polícia Federal.

Segundo o portal Poder360, que teve acesso ao depoimento, Claro acusa Lulinha de manter uma relação de proximidade e até uma sociedade empresarial com Antunes.

Ele teria dito que o filho de Lula recebeu uma cifra de 25 milhões (sem especificar em qual moeda) do "careca do INSS", além de uma "mesada" de R$ 300 mil.

Ainda, de acordo com o depoimento de Claro, Lulinha atuava como uma espécie de lobista para Antunes e eles teriam viajado juntos várias vezes para Portugal.

Edson Claro é um dos alvos da investigação da Polícia Federal. Ele prestou depoimento em 29 de outubro de 2025.

De acordo com o Poder360, não fica claro o tipo de sociedade que Lulinha tem ou pode ter mantido com o "careca do INSS" com base no que diz Edson Claro.

Apesar disso, o veículo pontua que as citações ao filho de Lula na investigação são fartas. Ele é citado em conversas de WhatsApp em situações que poderia ajudar, de alguma forma, os acusados de fraudar o INSS.

Imagem divulgada pela Polícia Federal na nova fase da Operação Sem Desconto
Imagem divulgada pela Polícia Federal na nova fase da Operação Sem Desconto
Foto: Polícia Federal / BBC News Brasil

Quem é Lulinha

Fábio Luis, mais conhecido como Lulinha, é o filho mais velho de Lula com Marisa Letícia. Ele é formado em biologia e chegou a trabalhar como estagiário em um zoológico em São Paulo. Hoje ele tem empresas no ramo de tecnologia.

Nos anos 2000, o filho de Lula se tornou sócio da empresa Gamecorp, que atuava no ramo de jogos eletrônicos.

Em 2019, o Ministério Público Federal denunciou Lulinha e outras 10 pessoas por suposto recebimento de vantagens indevidas da Oi/Telemar, entre 2004 e 2016.

Em 2020, ele foi alvo da Operação Lava Jato, investigado por suspeita de receber repasses de mais de R$ 100 milhões do grupo Oi/Telemar para suas empresas, em troca de decisões favoráveis do governo durante as gestões petistas.

O caso foi arquivado.

Em julho, o portal Metrópoles divulgou que Lulinha se mudou para a Espanha e só voltaria ao Brasil após o fim do mandado de Lula. Ele teria sido contratado para trabalhar para uma empresa em Madri.

Fraude no INSS

Em abril de 2025, uma investigação conjunta da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF) revelou uma fraude bilionária no INSS, que roubou centenas de milhares de aposentados por meio de descontos não autorizados em seus benefícios.

Segundo a polícia, sindicatos e associações de aposentados conseguiam, por meio de convênios com o INSS, descontar mensalidades de aposentados e pensionistas sem autorização.

Estima-se que o esquema envolva R$ 6,3 bilhões em descontos, entre valores legais e ilegais, no período de 2019 a 2024.

Entre os investigados na primeira fase da Operação estavam seis servidores públicos, incluindo o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Ele foi demitido do cargo após a operação e preso em novembro.

Em setembro, novas prisões foram feitas, entre elas do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "careca do INSS".

Ele é apontado pelas investigações como facilitador do esquema que desviou recursos de aposentados e pensionistas.

Segundo a Polícia Federal, empresas ligadas a ele teriam operado como intermediárias financeiras das associações investigadas na fraude.

BBC News Brasil BBC News Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC News Brasil.
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade