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Cláudio Castro é alvo de buscas em ação da PF que mira repasses da Rioprevidência em caso ligado ao Banco Master

Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, que administra o pagamento de pensões a aposentados e pensionistas fluminenses, teria investido na instituição de Daniel Vorcaro.

26 mai 2026 - 08h01
(atualizado às 09h31)
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Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro
Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A Polícia Federal deflagrafou na manhã desta terça-feira (26/5) a oitava fase da operação Compliance Zero, que investiga o caso do Banco Master. O ex-governador do Rio Cláudio Castro é alvo de mandados de busca.

O objetivo é apurar a suspeita de crimes financeiros no âmbito do Rioprevidência, o Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, que administra o pagamento de pensões a aposentados e pensionistas fluminenses.

Os policiais cumprem dez mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF).

Segundo nota da PF enviada à imprensa, trata-se de "um desdobramento da Operação Barco de Papel, que identificou aportes suspeitos do Rioprevidência em letras financeiras de banco privado que totalizaram cerca de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024".

O governador do Estado naquele período era Cláudio Castro (PL), que renunciou ao cargo em março deste ano, antes de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) condená-lo por abuso de poder econômico e de torná-lo inelegível.

Carlo Luchione, advogado de Castro, disse estar acompanhando as buscas e que não tem detalhes da Operação, pois não teve acesso à decisão.

O banco privado mencionado é o Banco Master. Letras financeiras são títulos de renda fixa que o investidor "compra" com o compromisso de receber seu dinheiro de volta no futuro corrigido por uma determinada taxa de juros.

Mas esses investimentos, ao contrário dos cobertos pelo FGC, não têm garantia de ressarcimento, e a liquidação do Master suscita dúvidas sobre se a empresa terá ou não condições de arcar com seus compromissos.

Agora, a PF "apura aplicações de R$ 2,01 bilhões, a partir de julho de 2024, em fundos de investimentos do mesmo banco, totalizando cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência".

Sede do Banco Master em São Paulo
Sede do Banco Master em São Paulo
Foto: Bloomberg via Getty Images / BBC News Brasil

O que é a Rioprevidência?

A Rioprevidência é uma autarquia que gere aposentadorias e pensões de servidores públicos civis e militares no Estado do Rio de Janeiro. Ela ainda é responsável por administrar os recursos financeiros que garantem esses benefícios.

Segundo o Sinfrerj, o Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Rio de Janeiro, a Rioprevidência atende cerca de 241 mil pessoas, com uma folha anual de pagamentos de aproximadamente R$ 13 bilhões.

A receita do fundo vem majoritariamente das contribuições previdenciárias de servidores e do governo estadual, além de receitas vinculadas como royalties e participações especiais do petróleo. O Rioprevidência também administra uma carteira bilionária de investimentos para tentar equilibrar as contas.

A garantia do FGC é usada como marketing pelas plataformas de investimento para estimular aportes em títulos muitas vezes arriscados, mas de alto retorno — como os CDBs do Banco Master
A garantia do FGC é usada como marketing pelas plataformas de investimento para estimular aportes em títulos muitas vezes arriscados, mas de alto retorno — como os CDBs do Banco Master
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
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