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Violência no Rio dá novo tom ao "fique em casa"

Moradores de bairros afetados por confrontos entre traficantes rivais, milicianos e policiais adotam quarentena dupla

9 jul 2020
13h11
atualizado às 13h34
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Nos últimos dias, intensos tiroteios em favelas dos bairros do Tanque, Praça Seca, Campinho e Cascadura, na zona norte e região da grande Jacarepaguá no Rio, levaram seus moradores a adotar uma nova quarentena – não relacionada à pandemia da covid-19. Muitos deles evitaram sair de casa, em razão da falta de segurança pública. Mas a opção, em alguns casos, foi tomada após ordem dos bandidos que dominam essas áreas.

Os criminosos circularam por ruas desses bairros, a bordo de motocicletas, nas manhãs de terça (7) e quarta (8), determinando aos gritos que ninguém deveria sair de casa. Mais do que uma medida aparente de proteção àquela população, a atitude soa como imposição de uma autoridade paralela que se consolida nessas áreas já faz alguns anos à base da intimidação e do medo.

Rua Capitão Menezes, na Praça Seca, Rio: ordem do tráfico é para que moradores fiquem em casa, não por causa da pandemia, mas por confrontos entre facções na localidade
Rua Capitão Menezes, na Praça Seca, Rio: ordem do tráfico é para que moradores fiquem em casa, não por causa da pandemia, mas por confrontos entre facções na localidade
Foto: Reprodução/Internet

Na Rua Capitão Menezes, na Praça Seca, motoqueiros armados de fuzis deram o recado de porta em porta nessa quarta, segundo relato de um de seus moradores ao Terra.

“Eles gritavam ‘fique em casa, senão, vai levar tiro’. Paravam quase que no portão das casas em que viam luzes acesas. Foi um horror”, disse F. A., comerciante que ainda mantém sua loja fechada, no mesmo bairro.

“Como sou do grupo de risco e minha esposa também, temos ficado em casa para a prevenção contra a covid-19. Mas, pelo jeito, a quarentena tem agora um motivo duplo – pelo coronavírus e pela violência”, comentou.

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Fonte: Silvio Alves Barsetti
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