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Vai ter greve no Metrô de São Paulo? Veja o que ficou decidido pela categoria

Decisão se deu em votação realizada na noite desta terça após sindicato receber carta em que representantes do Metrô se comprometem a avaliar propostas levadas pelos trabalhadores

21 mai 2024 - 20h20
(atualizado às 22h27)
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Está suspensa a greve do Metrô que estava prevista para esta quarta-feira, 22, segundo o Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo. A decisão de não paralisar as atividades se deu em assembleia realizada na noite desta terça-feira, 21, após a entidade receber uma carta em que o Metrô se compromete a avaliar as propostas levadas pelos trabalhadores. Além de votação presencial, houve também uma consulta virtual, com 89,9% dos votos favoráveis à suspensão.

"Era muito importante que o Metrô apresentasse algumas respostas pelo menos que mostrassem que há uma disposição de negociar do lado de lá", disse Camila Lisboa, presidente do sindicato. "Isso (o envio da carta) demonstra que agora, sim, há uma negociação de verdade."

Como mostrou o Estadão, os servidores estão em campanha salarial e já se reuniram em ao menos cinco ocasiões para negociar com representantes do Metrô, mas afirmam não ter chegado a um acordo. O reajuste proposto, de 2,77% (inflação medida pelo IPC-Fipe), foi recusado.

Na carta enviada nesta segunda-feira, 20, o Metrô se comprometeu a avaliar algumas reivindicações da categoria, como a movimentação horizontal de carreira e a atenção a pais e/ou responsáveis por dependentes com Transtorno de Espectro Autista. Isso fez a diretoria do sindicato recomendar a suspensão da greve, com marcação de uma nova assembleia para o próximo dia 5, quando a gestão estadual se comprometeu a apresentar novas propostas.

Além do reajuste dos salários e benefícios, o sindicato pede que o governo efetive a contratação de 115 agentes de segurança aprovados no concurso de 2019 e reintegre oito funcionários demitidos na última paralisação. A categoria também reivindica uma maior fatia da participação nos resultados da empresa e abertura de novo concurso público.

"Nossa campanha salarial começou inicialmente no dia 15 de março, quando a gente enviou para o Metrô a pauta de reivindicações da categoria", afirmou Camila. "Todas as vezes que nós cobramos respostas, o Metrô disse que apresentaria para a categoria uma resposta global, sobre todos os temas e itens, no dia 14 de maio."

Quando a data chegou, representantes do Metrô teriam afirmado que só apresentariam uma proposta no dia 5 de junho. "Foi por isso que nós, com a toda a indignação, com toda a percepção de uma má fé na negociação, marcamos um calendário de mobilização da categoria que previa um indicativo de greve para 22 de maio", disse Camila.

Com a carta enviada pelos representantes do Metrô, a diretoria e o conselho do sindicato propuseram suspender a grave marcada para esta quarta, continuar com o estado de greve e manter a retirada de uniforme por funcionários, além de marcar uma nova assembleia para o próximo dia 5. Mais cedo, houve também uma audiência de conciliação realizada na Justiça do Trabalho.

Com a suspensão, o planejamento do sindicato é esperar as novas propostas do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), previstas justamente para o próximo dia 5. Caso não haja uma resposta que contemple as reivindicações dos trabalhadores, a entidade prevê marcar uma nova data para a greve. Por ora, as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata seguem em pleno funcionamento.

Justiça determinou 100% da operação em horário de pico

Mais cedo, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) determinou que os funcionários do Metrô de São Paulo deveriam garantir que o sistema operasse com 100% da capacidade nos horários de pico em caso de paralisação. Nos demais períodos, o efetivo mínimo deveria ser de 50%.

O desembargador Davi Furtado Meirelles definiu ainda a aplicação de multa diária de R$ 100 mil, tanto para o Sindicato dos Metroviários quanto para o Metrô, caso qualquer uma dessas partes dificultasse a operação normal do transporte em uma eventual greve nesta quarta.

Na decisão, ele argumentou que a empresa já tentou impedir o cumprimento de determinações da Justiça, sob o alegação de "insegurança na prestação de serviços de forma parcial, tentando com isso transferir a totalidade da responsabilidade para a entidade sindical profissional e trabalhadores".

Estadão
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