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'Vai começar tudo de novo', diz desabrigado de 2007 na Serra

22 jan 2011 - 09h17
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O pesadelo de ser um desabrigado atormentou durante dois anos a vida de 50 famílias, moradoras de bairros em Friburgo atingidos por uma forte enchente em 2007. Foram meses vivendo na casa de parentes e lutando para garantir o aluguel social, que não foi pago a todos. Há cerca de um ano, elas receberam casas da prefeitura no Condomínio Lagoa Seca II, próximo ao bairro de Conselheiro Jardim, e tinham certeza de que havia chegado o momento de recomeçar a vida. Mas, após as chuvas da semana passada, cinco casas no local desabaram e outras dez foram atingidas pelas barreiras. Agora, mais uma vez, muitos fazem parte da lista de sem-teto do município.

17.01 - Teresópolis/RJ: pedras cobrem boa parte de Campo Grande
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Foto: Reinaldo Marques / Terra

O aposentado Geraldo Moraes, 68 anos, teve a casa em Jardinlândia atingida por uma barreira em 2007 e passou dois anos e meio hospedado com a filha, no mesmo bairro, sem receber nem um real do aluguel social. Em agosto, ganhou as chaves da casa nova, no condomínio habitacional, onde foi morar com a esposa e o filho de 35 anos. Comprou móveis e chamou parentes para conhecer o novo lar. Na semana passada, mais uma vez escutou o barulho da terra descendo e atingindo o quintal de sua casa.

"É uma sensação de desespero ver de novo tudo que construímos ser levado pelas águas. Achei que tinha acabado este inferno de ser desabrigado, mas não. Vai começar tudo de novo", lamentou. Ele revelou que não pretende ficar na casa de parentes desta vez e que, se não receber o aluguel social, vai continuar morando no imóvel, mesmo com o risco iminente de outro desabamento. "Não sei mais onde é seguro. Achei que aqui estávamos protegidos. A prefeitura deveria ter colocado a gente num local melhor, longe das encostas. Não quero mais incomodar ninguém. Se não conseguir alugar outra casa vou voltar para cá", prometeu o aposentado.

O condomínio ficou ilhado durante 3 dias com a queda de uma barreira na única rua de acesso. A energia elétrica só voltou no início da semana, mas as torneiras ainda estão secas. Para comprar comida, os moradores precisam passar por trilha no meio da mata, e os donativos da prefeitura ainda não chegaram.

Moradores se recusam a sair de áreas de risco

Mesmo após ter sido avisada pela Defesa Civil de que sua casa estava em área de risco e que o melhor seria procurar um abrigo, a professora Maria Thereza da Silva, 59 anos, garante que vai continuar onde está.

"Estou com medo de novos deslizamentos. Querer sair quero, mas vou para onde?", questionou. Ela já mora no condomínio há um ano, quando foram entregues as primeiras casas, e revelou que, na noite das chuvas, se abrigou na casa de vizinhos.

"Caiu uma barreira no meio da rua, não tínhamos como sair daqui. A lama começou a descer nos fundos da minha casa e eu saí correndo para as casas de baixo. Foram momentos de terror, assim como há três anos", descreveu ela, que morava em Riograndina em 2007.

"Não culpo a prefeitura por estarmos mais uma vez em áreas de risco. Caíram barreiras em toda a cidade, eles não tinham como adivinhar que esta catástrofe iria acontecer. Mas acho que já poderiam ter resolvido pelo menos o nosso problema de água, já que foram eles que nos colocaram aqui", reclamou a dona de casa Raquel Rodrigues, 50 anos.

Chuvas na região serrana

As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio nos dias 11 e 12 de janeiro provocaram enchentes e inúmeros deslizamentos de terra. As cidades mais atingidas são Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu cerca de 300 mm em 24 horas na região.

Veja onde foram registradas as mortes

Fonte: O Dia
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