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Tragédia em Santa Maria

RS: polícia nega gravar depoimento e dono da Kiss fica em silêncio

Advogado de Elissandro Spohr fez a exigência, que não foi aceita pela Polícia Civil

18 mar 2013 - 23h33
(atualizado às 23h45)
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<b> 18 de março -</b> Jader Marques, advogado de Elissandro Spohr, o Kiko, um dos sócios da Boate Kiss, exigiu gravar o depoimento de seu cliente em vídeo, o que não foi aceito pela polícia
18 de março - Jader Marques, advogado de Elissandro Spohr, o Kiko, um dos sócios da Boate Kiss, exigiu gravar o depoimento de seu cliente em vídeo, o que não foi aceito pela polícia
Foto: Luiz Roese / Especial para Terra

A Polícia Civil de Santa Maria (RS) tinha se programado para ouvir novamente Elissandro Spohr, o Kiko, um dos sócios da Boate Kiss, na tarde desta segunda-feira, mas a intenção não se concretizou. O advogado do suspeito, Jader Marques, exigia gravar o depoimento em vídeo, o que não foi aceito pelos delegados responsáveis pelo inquérito que investiga a tragédia de 27 de janeiro na casa noturna, que causou a morte de 241 pessoas. Spohr, então, não falou nada.  

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O delegado Marcos Vianna chegou a ir no início da tarde desta segunda-feira até a Penitenciária Estadual de Santa Maria, no distrito de Santo Antão, mas perdeu a viagem. O advogado de Kiko, Jader Marques, já estava lá. Pouco depois das 15h, diante do impasse, o defensor confirmava que o depoimento não sairia.

Em entrevista coletiva no final da tarde desta segunda, Marques ressaltou que o único pedido que fez à Polícia Civil era para que a gravação do depoimento pudesse ser feita em vídeo, para depois ser disponibilizada de forma integral à imprensa.  "Hoje ficou evidente que o ato de reinterrogatório de Elissandro Spohr não tinha importância nenhuma para a Polícia Civil, era só para cumprir tabela", declarou o advogado.

Marques ainda destacou que seu cliente teria de demonstrar o que ele chama de "equívocos" que estão sendo apontados pelo inquérito, como a "posição dos ferros das portas". Por isso, ele fez até um desafio para a Polícia Civil. "Que a Polícia Civil leve o Kiko para dentro da boate amanhã (terça-feira) e discuta com ele todos os elementos apontados no inquérito."  

O advogado foi além nas críticas ao trabalho da Polícia Civil: "Se for levado para dentro da boate, Elissandro Spohr derruba esse inquérito frágil, apoiado em indícios fracos, em elementos muitos mal colhidos. A autoridade policial não só prendeu Elissandro, mas escondeu Elissandro", disse.

Sobraram ainda críticas do advogado a órgãos fiscalizadores que estiveram na Kiss e não tomaram medidas para fechar a casa noturna, como o Ministério Público, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), o Corpo de Bombeiros e a prefeitura de Santa Maria. Por isso, todos teriam sua parcela de responsabilidade, segundo o advogado. Ele disse que não quer que todos os fatos sejam atribuídos somente a Elissandro Spohr. "Não vou aceitar covardia institucional", afirmou Marques, referindo-se à conclusão do inquérito que investiga a tragédia.

O delegado Sandro Meinerz, um dos responsáveis pelo inquérito, afirmou que a gravação em vídeo não foi permitida porque isso seria um tratamento desigual a outras pessoas que depuseram no inquérito.  

Perícia confirma problemas no sistema de exaustão

Os delegados seguem analisando os laudos entregues pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) na última sexta-feira. Entre as questões confirmadas até agora pelos peritos está a relacionada ao sistema de exaustores da boate, que não funcionaram para evitar que a fumaça tóxica emitida pela queima da espuma do isolamento acústico tomasse conta da casa noturna. "A porta de entrada e saída era por onde a maior parte da fumaça poderia sair", disse o delegado Sandro Meinerz, acrescentando que as janelas da boate eram vedadas.

Ainda é aguardado o laudo da perícia sobre a espuma do isolamento acústico. Depois das necropsias que demonstraram que as vítimas morreram por asfixia, muitas delas em função da ação de cianeto e monóxido de carbono, a Polícia Civil vê esse laudo como uma confirmação do que já se sabe: que a queima da espuma emitia gases tóxicos.

A segunda-feira foi um dia de depoimentos de pessoas que atuaram no resgate das vítimas, como policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOE), militares do Exército e da Aeronáutica e agentes da Polícia Rodoviária Federal. Mais pessoas desses grupos devem ser ouvidas nesta terça-feira.

Inquérito será concluído quinta ou sexta

A conclusão do inquérito está prevista para quinta ou sexta-feira. O relatório final de investigação, que aponta responsabilidades pela tragédia, já está praticamente todo formatado. Nesta segunda-feira, os delegados responsáveis pelo caso – Marcelo Arigony, Sandro Meinerz, Marcos Vianna, Gabriel Zanella e Luiza Santos Souza – estavam debruçados sobre o relatório, revisando-o e colocando nele elementos apontados pelas perícias. 

Incêndio na Boate Kiss

Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou mais de 240 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.

Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.

Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas. 

Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A intenção é oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.

Fonte: Especial para Terra
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