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Tragédia em Santa Maria

Delegado: 'Ainda vamos conviver com o processo da tragédia por muito tempo'

O chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, delegado Ranolfo Vieira Júnior, disse que o inquérito da tragédia será levado ao fórum na sexta-feira

20 mar 2013 - 19h22
(atualizado às 22h05)
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<b>19 de março -</b> Os delegados Marcelo Arigony (ao fundo) e Sandro Meinerz (centro) se reuniram com a equipe para analisar o relatório final do inquérito
19 de março - Os delegados Marcelo Arigony (ao fundo) e Sandro Meinerz (centro) se reuniram com a equipe para analisar o relatório final do inquérito
Foto: Luiz Roese / Especial para Terra

O chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, delegado Ranolfo Vieira Júnior, disse nesta quarta-feira que não se preocupa com as repercussões negativas que o inquérito da tragédia na Boate Kiss, em Santa Maria, podem trazer. "O trabalho da polícia sempre causa resultados. Quem for apontado vai criticar o trabalho da polícia. Não me preocupo. E, além do mais, essa é a primeira fase. O Ministério Público pode vir amanhã e dizer isso, ou menos do que isso. E o juiz pode aceitar somente parte da denúncia. Infelizmente, ainda vamos conviver com esse processo da Boate Kiss por muito tempo", declarou. Ranolfo anunciou hoje que o inquérito será entregue à Justiça na sexta-feira, quando serão completados 54 dias de investigações.

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Depois de mais de 10 mil páginas e mais de 800 depoimentos, o material será enviado ao fórum da cidade com os indiciamentos de pessoas que tiveram alguma responsabilidade pelo incêndio na casa noturna. O inquérito também fará indicações para que sejam apuradas outras responsabilidades fora da esfera criminal, como apontamentos que sugiram indícios de improbidade administrativa.  

Na tarde desta quarta-feira, o delegado Ranolfo, que chegou a Santa Maria no final da manhã, não quis antecipar possíveis indiciamentos. "Estamos evitando qualquer especulação, sob pena de alguma frustração. Jamais vamos trabalhar de forma oficial com especulação, se serão cinco, oito, dez, 15 ou 25 (indiciados)", declarou o delegado.

Hoje, Ranolfo Vieira Júnior acompanhou parte do trabalho dos delegados e também visitou a 1ª Delegacia de Polícia Civil (1ª DP), onde estão centralizadas as investigações da tragédia. Ele iria passar a noite em Santa Maria e retorna nesta quinta à capital, para estar de volta à cidade do centro do Estado no dia da entrega do inquérito.

O delegado regional de Polícia Civil, Marcelo Mendes Arigony, e os colegas Sandro Meinerz, Marcos Vianna, Luiza Santos Sousa e Gabriel Zanella passaram a quarta-feira revisando o relatório final da investigação, que está praticamente concluído. São cerca de 140 páginas que resumem um trabalho distribuído em 25 volumes de inquérito e outros 24 volumes de anexos, com fotografias, vídeos, laudos periciais e documentos.

A intenção da Polícia Civil é tornar público o máximo do inquérito que for possível, começando pelo relatório final da investigação, que deve ser digitalizado e colocado integralmente na internet. Ainda está sendo avaliado se fotos e vídeos que fizeram parte do inquérito serão divulgados, pois o ato poderia abalar quem perdeu familiares na tragédia.

Um dos vídeos anexados ao inquérito, com 28 segundos, mostra o início do incêndio na Kiss, com o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, tentando usar um extintor para apagar o foto, sem sucesso. A filmagem estava no celular de uma vítima que morreu. 

Inquérito será apresentado em coletiva na UFSM

Às 14h de sexta-feira, o inquérito, com suas conclusões, será entregue na 1ª Vara Criminal do Fórum de Santa Maria. Meia hora depois, o trabalho será apresentado para a imprensa em entrevista coletiva, no anfiteatro Flávio Miguel Schneider, no Centro de Ciências Rurais (CCR), anexo ao prédio 42, no campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Devem participar da apresentação, além do chefe de Polícia do Estado, os delegados envolvidos diretamente com o caso, além de representantes do Instituto Geral de Perícias (IGP) e da Secretaria Estadual da Segurança Pública.  

O local da coletiva de sexta-feira foi escolhido pelo sistema de som e pela capacidade de receber um grande número de pessoas e não tem relação com o fato de o Centro de Ciências Rurais da UFSM ter perdido pelo menos 54 alunos na tragédia. Agronomia perdeu 26 pessoas, Medicina Veterinária e Tecnologia de Alimentos, 15 cada, Zootecnia cinco, Engenharia Florestal, dois, e o Mestrado em Agronomia, um. Nesta quarta, o delegado Ranolfo Vieira Júnior esteve no CCR para verificar as condições do anfiteatro. 

Incêndio na Boate Kiss

Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou mais de 240 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.

Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.

Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas. 

Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A intenção é oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.

Fonte: Especial para Terra
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