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Tragédia em Santa Maria

Banda que perdeu 2 músicos tentava tocar na Kiss havia 1 ano

Pimenta e Seus Comparsas tinham como meta profissional um espaço na boate de Santa Maria

27 fev 2013 - 17h27
(atualizado às 17h43)
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Marcos (segundo, da esquerda para a direita) e Robson (de chapéu, ao lado de Marcos) morreram no incêndio da Boate Kiss
Marcos (segundo, da esquerda para a direita) e Robson (de chapéu, ao lado de Marcos) morreram no incêndio da Boate Kiss
Foto: Divulgação

A banda Pimenta e Seus Comparsas, formada em Ijuí (RS), aguardava havia mais de 1 ano e meio uma chance para se apresentar pela primeira vez na Boate Kiss, em Santa Maria. Quando finalmente a oportunidade chegou, o local foi palco de uma das maiores tragédias do Brasil: 239 pessoas morreram no incêndio que atingiu a casa noturna no dia 27 de janeiro deste ano, sendo dois deles os músicos Marcos André Rigoli e Robson Van der Ham, baterista e baixista, respectivamente. "A gente perdeu meia banda na tragédia. Dois grandes amigos se foram", contou o vocalista Valterson Wottrich, o Pimenta, 36 anos.

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"Nós estávamos tentando tocar na Kiss há mais de um ano e meio. Era uma boate muito concorrida em Santa Maria, considerada uma boate 'top' mesmo. Todo mundo queria tocar lá, porque tinha um público jovem muito bacana e uma estrutura boa. A gente sabia que entrar lá seria um passaporte para tocar nas festas da cidade. Era uma meta nossa. Mas não era para a gente estar se apresentando nesse dia", disse o músico. 

De acordo com Pimenta, os proprietários da boate chegaram a propor que o grupo se apresentasse em duas datas anteriores àquela, mas a banda decidiu aguardar para fazer sua estreia em uma noite em que houvesse uma festa universitária. "A gente estava achando o máximo tocar lá, porque ia estar lotado. E aí aconteceu essa tragédia toda", lamentou. Pimenta e o guitarrista Lucas Prauchner sobreviveram, mas tiveram de reconhecer os corpos dos dois amigos, que foram levados para o ginásio do Centro Desportivo Municipal de Santa Maria.

O grupo  se apresentou antes da banda Gurizada Fandangueira, cujo show com efeito pirotécnico deu início ao fogo que atingiu o local - dois integrantes desta banda e dois sócios da boate foram presos. Segundo o vocalista, os grpos não se conheciam até então, mas o músico chegou a ser responsabilizado por engano.

"Logo no começo, quando as notícias ainda eram desencontradas, um bombeiro deu uma declaração a uma TV falando que o vocalista da Pimenta e Seus Comparsas tinha usado o equipamento de pirotecnia. Ele corrigiu logo em seguida em outra entrevista, falou que não era a gente, mas nas redes sociais já teve gente xingando. Nós nem tivemos tempo de nos manifestar, porque quando isso tudo aconteceu, eu e o Lucas só pensávamos no Marcos e o Robson, nas famílias deles, e em falar com as nossas famílias. (...) Depois as pessoas perceberam que nós éramos vítimas também", relatou o cantor. 

Caça às bruxas

Embora tenha sobrevivido, Pimenta diz que não viu a cena que deu início ao incêndio. Segundo o vocalista, os quatro integrantes da banda e um DJ, que se apresentaria após o show da Gurizada Fandangueira, estavam em um camarim, que ficava em um andar superior, na parte oposta ao palco. O cantor contou que só soube do incêndio quando um funcionário da boate os avisou, e disse que chegou a cogitar aguardar no local que a situação se normalizasse, porém, mudou de ideia. 

"O som parou, mas como a gente não tinha contato visual com o resto da boate, não demos muita importância na hora. Uns dois minutos depois é que um funcionário subiu as escadas e nos avisou do incêndio. Nós até pensamos em ficar no camarim, para esperar apagar o fogo. Mas aí me deu um estalo de que a gente deveria sair de lá correndo", disse.

Do lado de fora, o vocalista e o guitarrista perceberam a ausência dos dois amigos, que deixaram o camarim com eles. Para o músico, o fato de o grupo não conhecer a casa noturna, e a escuridão no momento do incêndio, prejudicou a fuga das vítimas, que não conseguiram escapar. "Foi tudo foi muito rápido. O local onde ficava o camarim era muito próximo à saída, só que era quase que um labirinto. As paredes eram pretas, a fumaça era muito densa demais e a energia caiu. Então, mesmo que tenha funcionado as luzes de emergência, eu tinha uma visão de 5 centímetros para frente", contou.

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Pimenta evita apontar culpados e disse acreditar que uma "sucessão de erros” tenha provocado a tragédia. "É difícil apontar o dedo agora de quem tem culpa. Está havendo uma caça às bruxas pelo grande culpado por tudo, quando na realidade foram vários fatores. (...) Mas gente espera que se faça justiça", completou o músico, que é casado e tem um filho de oito anos. De acordo com ele, o baterista Marcos tinha 37 anos e era casado. "Sempre foi uma pessoa querida por todos, e reconhecido por ser um ótimo baterista", descreveu o amigo. O baixista Robson tinha 31 anos, também era casado e estava "encantado" com o nascimento de sua filha, ainda bebê. "Ele estava encantado com a situação de ser pai", disse.  

Ainda bastante abalados com a tragédia, os músicos que sobreviveram ainda não sabem quando retornarão aos palcos, mas esperam continuar a carreira, que era "um sonho" do grupo de amigos. "As bandas eram os sonhos de todos nós, que nos dava muita satisfação. Não podemos acabar com o sonho deles também. Ideia é continuar a banda, mas ainda não sabemos quando. Está sendo muito difícil aceitar a situação, parece que a ficha ainda não caiu", afirmou.

Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

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A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas. 

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

 

Fonte: Terra
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