Justiça nega pedido de prorrogação da prisão de sócio da Kiss
A Justiça de Santa Maria negou nesta quarta-feira o pedido de prorrogação da prisão temporária de Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, um dos sócios da boate Kiss, onde 239 pessoas morreram após um incêndio há um mês. O empresário está detido penitenciária estadual da cidade, onde também estão presos dois membros da banda Gurizada Fandangueira e o outro sócio da casa nortuna.
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O advogado de Kiko, Jader Marques, pediu a prorrogação da prisão por mais 30 dias por entender que eram necessárias outras diligências, como acareações e reconstituições, antes de concluir o inquérito policial. O Ministério Público (MP) já havia se manifestado contrário ao pedido.
Ao negar a solicitação do advogado, o juiz Ulysses Fonseca Louzada, da 1ª Vara Federal, disse que a prisão temporária tem prazo fixo e determinado. "(A prisão) era necessária para o êxito das investigações. Inadmissível, porém, no presente momento, prorrogar-se a segregação de medida decretada por prazo fixo, como requer a defesa, mormente se já existem elementos suficientes à conclusão do inquérito policial. Até porque a lei só a permite uma única vez", afirmou o magistrado.
Louzada ainda seguiu o entendimento do Ministério Público ao destacar que o pedido feito pela defesa do empresário não é legítimo, uma vez que a solicitação de prorrogação da prisão só pode ser feita pela Polícia Civil e pelo MP.
O advogado havia dito que o dono da Kiss gostaria de ficar frente a frente com pessoas que teriam dado na polícia, na visão dele, versões que não seriam verdadeiras. "Esse pedido (de prorrogação da prisão) é um dos mais difíceis da minha carreira", disse Marques, ressaltando que a solicitação se referiria somente a seu cliente e que ele não conversou com os advogados dos outros presos.
Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.
Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.
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A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.
Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.
Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.
A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.
