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De volta às festas, DJ da Kiss lamenta tragédia: 'Kiko é um cara bom'

Bolinha estava presente na noite da tragédia e sobreviveu porque foi puxado para o lado de fora da Kiss

27 fev 2013 - 13h07
(atualizado às 13h53)
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o dia 2 de março, Bolinha, que cogitou abandonar a profissão, retoma as atividades em Júlio de Castilhos para levar alegria às pessoas com a música
o dia 2 de março, Bolinha, que cogitou abandonar a profissão, retoma as atividades em Júlio de Castilhos para levar alegria às pessoas com a música
Foto: Divulgação

Para o DJ santa-mariense Lucas Cauduro Peranzoni, 31 anos, o DJ Bolinha, a volta às pickups depois da tragédia na Boate Kiss, que deixou 239 mortos há um mês, terá o peso de uma estreia. Há 13 anos tocando nas principais casas noturnas da cidade, ele havia fechado contrato com a Kiss para ser residente e trabalhava havia 6 meses na boate quando houve o incêndio. Ele perdeu mais de 15 amigos e só sobreviveu porque foi puxado para o lado de fora quando caiu na porta da Kiss, já tomada pela fumaça tóxica. No dia 2 de março, Bolinha - que cogitou abandonar a profissão - retoma as atividades no Saint George Pub, em Júlio de Castilhos, para "levar alegria às pessoas com a música".

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"Esse mês foi bem difícil. Passou pela minha cabeça parar, mas a ideia é continuar a vida e levar alegria às pessoas com a música. São 13 anos antes disso que ocorreu e agora será uma estreia, com certeza diferente. Não sei como vai ser na frente de uma pista, na frente de um palco, o que eu penso agora é fazer o que eu gosto, que é tocar e receber aquela energia boa de quem está lá apenas curtindo e se divertindo. O que aconteceu na Kiss não faz parte disso", relatou ele. 

Bolinha recorda bem a noite do incêndio. Ele percebeu o perigo e avisou um grupo de amigos que estava próximo à área VIP para sair rápido do local. Um pouco antes, havia tirado uma foto do show do Gurizada Fandangueira e, na hora do pânico, um funcionário da boate foi à cabine dele pedir o extintor que ficava debaixo de sua bancada. O DJ conta que chegou a ser pisoteado e sobreviveu graças à ajuda de uma pessoa que o puxou para fora do estabelecimento.

"Quando fui sair, a fumaça já estava tomando conta e não dava para ver mais nada. Eu caí na porta, fui pisoteado e não enxergava quando fui puxado, havia muitas pessoas na porta. (...) Eu acho que as luzes não apagaram, mas simplesmente ficou impossível de andar lá por causa da fumaça. Eu saí dali porque conhecia o lugar. É como andar no escuro na tua casa. Além do pânico, não dava para respirar", disse Cauduro.

Devido à inalação da fumaça, ele tomou remédios para o pulmão durante 10 dias, foi internado em um hospital de Santa Maria e retornou uma semana depois para novos exames. "A imagem que me vem à cabeça é a da rua, das pessoas atiradas no chão, do caos. É uma coisa difícil de esquecer. Perdi muitos amigos, mais de 15, e vários conhecidos", lamentou.

"O Kiko não merecia isso"

Lucas Cauduro recebeu o convite para trabalhar na Kiss de Elissandro Spohr, o Kiko, um dos donos da boate preso temporariamente. Eles tinham uma relação próxima e o DJ classifica Kiko como "um cara muito bom". 

"Me relacionava muito bem com ele, é um cara muito bom para todos. Ninguém merecia nada disso que está acontecendo, nem as famílias, nem eu, o Kiko não merecia. Isso acabou com a vida de muita gente e com a dele também. (...) A justiça virá pelo meio da Justiça, já há quem faça isso, as pessoas devem se confortar mais, se ajudar mais, manter o foco na questão humana, todos precisam de uma palavra de carinho", afirmou.

Amigos e familiares fazem barulho em homenagem às vítimas da Kiss:

"Eu nunca temi pela minha vida ou que acontecesse alguma coisa desse tipo, muito menos uma tragédia desse tamanho. Eles (as vítimas) já estão ajudando com as novas medidas tomadas nas casas noturnas e não pretendo fazer nenhuma homenagem quando for tocar. No show queremos alegria, queremos lembrar das coisas boas", completou Bolinha.

Incêndio na Boate Kiss

Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou mais de 230 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.

Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.

Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A intenção é oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.

Fonte: Terra
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