Por que presos famosos estão pedindo para deixar o presídio dos famosos? Entenda
Penitenciária ficou conhecida como o “presídio dos famosos” por abrigar presos envolvidos em crimes de grande repercussão
Presos famosos estão solicitando transferências do "presídio dos famosos" de Tremembé devido à exposição midiática, convivência forçada e questões de segurança, resultando em remoções estratégicas pela Secretaria da Administração Penitenciária.
No fim do ano passado, cinco detentos envolvidos em crimes de grande repercussão nacional foram transferidos da Penitenciária II de Tremembé, em São Paulo. Conhecida como o “presídio dos famosos”, a unidade realizou essas mudanças pouco depois do lançamento da série homônima no Prime Video, que dramatizou alguns desses casos já amplamente conhecidos e colocou o presídio em maior evidência.
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A penitenciária ficou conhecida como o “presídio dos famosos” por abrigar presos envolvidos em crimes de grande repercussão. Entre os que passaram pela unidade estão os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, condenados pelo assassinato dos pais de Suzane von Richthofen; a própria Suzane; Elize Matsunaga, condenada por matar o marido; e Alexandre Nardoni, condenado pela morte da filha Isabella.
Atualmente, ainda cumprem pena no local outros presidiários conhecidos, como Roger Abdelmassih, ex-médico condenado por diversos estupros, e Lindemberg Alves Fernandes, condenado pelo sequestro e assassinato da ex-namorada Eloá Pimentel, crime que parou o Brasil em 2008.
No início de novembro, o empresário Thiago Brennand, condenado a mais de oito anos de prisão em regime fechado pelo crime de estupro, foi transferido para a Penitenciária I de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado, o pedido de transferência foi feito pelo próprio Brennand e por sua defesa. O empresário está detido desde 2023 e já passou pelo Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na capital paulista, antes de ser enviado ao Presídio Tremembé II, no interior do Estado, onde cumpria a pena até a recente mudança.
Também em novembro, o ex-jogador Robinho foi transferido da Penitenciária II de Tremembé para o Centro de Ressocialização de Limeira, no interior de São Paulo, após pedido da defesa do custodiado. A mudança ocorreu na manhã do dia 17, e foi confirmada ao Terra pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
Ele está preso desde março de 2024 após ser condenado a 9 anos de reclusão por um estupro coletivo cometido e julgado na Itália. Robinho e outros cinco homens foram acusados de participar de um episódio de violência sexual contra uma mulher albanesa em Milão, quando ele ainda jogava pelo Milan. O crime aconteceu em uma boate em 2013.
Os advogados de Robinho solicitaram a transferência em meados de outubro, segundo informou O Globo. O jornal também antecipou a intenção, mantida de forma discreta pelo governo estadual, de promover a transferência de detentos de grande notoriedade para reduzir a imagem da unidade como o “presídio dos famosos”.
De acordo com o jornal, no caso de Robinho, apesar de manter uma rotina relativamente estável, o ex-jogador já havia confidenciado a funcionários do presídio o desejo de deixar Tremembé. Ele reclamava do excesso de atenção, dos boatos e da convivência forçada com outros detentos conhecidos. Na unidade, Robinho atuava como técnico e jogador do time formado por presos, o Tremembé Futebol Clube, que disputa partidas no campo de terra do presídio.
No mesmo mês, o ex-policial militar Ronnie Lessa, autor confesso dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, também deixou o presídio de Tremembé após alegar suspeita e temor de ser envenenado dentro da unidade. A transferência para a Penitenciária IV do Distrito Federal ocorreu no dia 22, após o quarto pedido apresentado pela defesa.
Lessa havia sido enviado a Tremembé depois de firmar delação premiada no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, na qual apontou como mandantes do crime o conselheiro do TCE-RJ, Domingos Brazão, o ex-deputado Chiquinho Brazão e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa.
O hacker Walter Delgatti Neto também foi transferido da Penitenciária de Tremembé para uma unidade prisional em Potim, no Vale do Paraíba, em São Paulo. A informação foi confirmada pela Polícia Penal do Estado de São Paulo. Delgatti cumpre pena em regime fechado de oito anos e três meses por invadir, em 2023, os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a mando da ex-deputada Carla Zambelli, atualmente detida na Itália. Na ocasião, o hacker inseriu um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no sistema da Justiça.
Além disso, Fernando Sastre de Andrade Filho, motorista do Porsche azul que provocou um acidente em 31 de março de 2024 em São Paulo, que matou um homem e deixou outro ferido, também foi transferido para uma unidade prisional em Potim em 18 de dezembro de 2025. O empresário está preso desde maio de 2024, acusado de ter assumido o risco de matar Ornaldo da Silva Viana e de causar ferimentos graves em Marcus Vinicius Machado Rocha ao dirigir em alta velocidade alcoolizado.
Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou ao Terra que a unidade prisional opera dentro dos padrões de segurança e disciplina. De acordo com a SAP, as movimentações de custodiados são realizadas conforme o planejamento e os protocolos internos, que, por razões de segurança, não serão detalhados.
