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Temor por protestos reduz nº de participantes e público em Campinas

Segundo organizador do Grito dos Excluídos, o prefeito Jonas Donizette criou clima de terror para o desfile

7 set 2013 - 16h34
(atualizado às 16h48)
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Campinas - Manifestantes protestam durante desfile
Campinas - Manifestantes protestam durante desfile
Foto: Rose Mary de Souza / Especial para Terra

O desfile de 7 de setembro em Campinas durou duas horas a menos do previsto,  contou com a participação do Exército, órgãos da prefeitura, Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), de estudantes de uma única escola e não teve incidentes. A Polícia Militar não desfilou e os policiais foram deslocados para a segurança das ruas. Das 20 mil pessoas esperadas inicialmente, 4 mil foram até a avenida Francisco Glicério, segundo avaliação do secretário municipal de cooperação de assuntos de segurança  Luiz Augusto de Baggio. 

"Não ocorreu nenhum incidente. É uma pena as escolas não participarem, por esse temor, e a Polícia Militar que teve o empenho que estar aqui no entorno", falou. "Mas esperamos que outros eventos transcorram em paz", disse Baggio. 

No ano passado o 7 de setembro teve a participação de 21 escolas, 14 entidades e os soldados da Polícia Militar. Desta vez, a Polícia Militar participou apenas com sua banda musical. Centenas de policias se perfilaram por toda a extensão da avenida. Os soldados do Exército desfilaram e espalharam alguns homens pelas ruas da cidade.

Clima de terror armado

Ao final, houve a passagem do Grito dos Excluídos de Campinas. Esta foi a 18ª participação, cujo tema foi "Juventude que ousa lutar constrói o projeto popular". Várias entidades, estudantes e movimentos sociais participaram dentre elas a pastoral do trabalho da igreja católica, sindicatos, associação protetora de animais, movimento sem teto e os sem terra.

O padre Benedito Ferraro, um dos organizadores do 18º Grito dos Excluídos disse que o número reduzido de pessoas no desfile foi por conta do boato de vandalismo no centro da cidade.  "O prefeito é que criou esse clima de terror e afastou as pessoas",acusou.

Antes de ir embora o prefeito de Campinas Jonas Donizette (PSB) disse aos jornalistas que foi importante a manutenção do desfile já que outros municípios optaram pelo cancelamento. "Infelizmente, temos que ressaltar que houve um clima diferenciado de outros anos. Algumas escolas preferiram descentralizar, e nós respeitamos".

Donizette falou que a cidade está preparada para conter qualquer tipo de excesso por conta de manifestações programadas pelas redes sociais ao longo deste feriado de sábado. "Estamos preparados para fazer a segurança da população. A minha expectativa é que tudo corra dentro da normalidade", falou.

Pelas redes sociais, grupos de Black Blocs prometem se reunir a partir das 16h, no Largo do Rosário para promoverem um protesto contra o transporte coletivo. Eles pedem tarifa zero para estudantes e uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para discutir o preço da passagem que hoje é de R$ 3,00. Até as 14h, não havia nenhum manifestante ou concentração de pessoas no local.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País

Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus. A mobilização surtiu efeito e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas – o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. "Essas vozes precisam ser ouvidas", disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Especial para Terra
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