'Tem mais corpos chegando': ativista registra contagem de mortos após operação na Penha
Raull Santiago, fundador do Instituto Papo Reto, se emocionou ao falar do choro dos familiares que reconheciam mortos
Operação policial na Penha, no Rio de Janeiro, deixa ao menos 54 mortos inicialmente, podendo chegar a 118; ativista relata sofrimento de familiares e impactos na comunidade.
O número de mortos na Praça São Lucas, na Penha, deve aumentar, segundo expectativa do ativista Raull Santiago, fundador do Instituto Papo Reto. Por volta das 8h, o local tinha 54 corpos, mortos na megaoperação das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, que tinha como objetivo conter a expansão do Comando Vermelho.
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"Tem mais corpos chegando. Os carros acabaram de subir porque mais pessoas foram encontradas em algumas partes da favela", contou Raull, que não conseguiu conter as lágrimas ao relatar o que via.
"Nada me marca tanto quanto o choro da família. Infelizmente eu queria que isso não fosse uma realidade dentro da minha existência, mas os corpos como eles estão ali, estraçalhados, violados de tantas formas, isso, infelizmente, não me choca tanto quanto o que está acontecendo aqui no entorno. O choro dos familiares", desabafou o ativista.
Além das questões físicas, como o cheiro forte que subia na região, Raull destacou os momentos em que os familiares reconheciam os corpos de seus entes.
"Seja ele alguém que realmente estava envolvido com o mercado ilícito das drogas. Seja ele alguém que estava no lugar errado, na hora errada. Pessoas inocentes.Tem todo tipo de pessoa.E mãe é mãe, né? Isso aqui é a única coisa que me destrói, é a única coisa que me assombra", continuou.
Até o momento, não houve a confirmação se os mortos empilhados na praça da Penha estão inclusos no balanço oficial divulgado pelo governo, de 64 mortos. Se não estiver, a operação terá terminado com ao menos 118 mortos.
Volta à normalidade após dia mais letal da história
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), amanheceu o dia dizendo que a cidade estava "fluindo normalmente", com retorno ao Estágio 1 de operação. "Modais operando normalmente, cidade fluindo com normalidade. Permanecemos atentos. Informem-se por canais oficiais!", escreveu Paes, em sua conta no X. Ele acrescentou que todos os serviços públicos também voltarão a funcionar normalmente.
Segundo o Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR), o Estágio 1 é a primeira classificação em uma escala de cinco e indica que não há ocorrências de grande impacto. Na tarde de terça, 28, a cidade entrou no Estágio 2, por risco de ocorrência de alto impacto.

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