SP: polícia investiga morte de bebê que teve a cabeça arrancada no parto
A Polícia Civil investiga a morte de um bebê que teve a cabeça arrancada durante o parto no Hospital Regional de Itanhaém, no litoral de São Paulo. De acordo com informações do 1º Distrito Policial da cidade, o feto já estava morto dentro do útero de sua mãe e aparentemente foi decapitada em decorrência do estado de decomposição de seu corpo.
O boletim de ocorrência foi registrado na última segunda-feira pela parturiente. Segundo o 1º DP, a mulher de 31 anos havia completado nove meses de gestação e vinha se queixando nos últimos dias que não sentia mais o bebê se mexer em seu ventre. Ela procurou o Hospital Regional de Itanhaém em três oportunidades diferentes - nos dias 11, 20 e 22 de fevereiro - alegando dores e desconforto, mas, após avaliação, foi liberada, com a orientação de que procurasse a maternidade de sua escolha quando entrasse de fato em trabalho de parto.
No último sábado, a gestante voltou ao hospital por volta das 10h30 e um médico constatou que ela estava em trabalho de parto. Em uma avaliação preliminar, o profissional tentou ouvir os batimentos do coração do feto, sem sucesso. Posteriormente, dois exames - cardiotocografia e ultrassom - confirmaram o óbito da criança, sendo necessária a sua remoção por parto normal.
"Em uma situação como esta, mantém-se a evolução do trabalho de parto normal, uma vez que ela já estava em trabalho de parto. A expulsão se dê por via vaginal. Isso é um protocolo médico reconhecido pelo Ministério da Saúde. Uma eventual indicação de cesariana nesse primeiro momento poderia expor a gestante a intercorrências", afirmou o diretor técnico do hospital, João Henrique Tergolino.
Os trabalhos, entretanto, se prolongaram por todo dia e, à noite, foi necessária uma indução do parto, através de medicamentos. Porém, durante o parto os médicos identificaram que o feto era muito grande, pesando cerca de 4,7 kg e medindo 59 centímetros de comprimento. Durante a remoção, houve desprendimento do polo encefálico (cabeça) do bebê, sendo que os médicos conseguiram retirar apenas a cabeça do feto.
Diante da impossibilidade de retirar o restante do corpo por parto normal, a paciente então foi encaminhada para uma cesária, já que havia riscos de sangramento excessivo. "Nessa operação de retirar um feto já morto, deslocaram a cabeça do pescoço. Ela (mãe) não soube explicar direitinho o que aconteceu, mas parece que a cabeça caiu. Tanto que depois ela pediu pra ver a criança e (a cabeça) estava costurada no pescoço", relatou um policial do 1º DP.
De acordo com Tergolino, foi aberta uma sindicância para apurar se houve negligência no atendimento à gestante. "Para quem vê de fora, é uma situação bastante constrangedora. Esta paciente veio aqui em outras oportunidades. No dia 11 de fevereiro, ela foi atendida e avaliada, realizou exames, e foi liberada com orientação e receita. No dia 20 ela retornou, mantendo a mesma queixa, foi avaliada e liberada. No dia 22 mantém a queixa de dor. Ela foi avaliada e depois liberada com a orientação de que, quando exacerbasse a dor (do trabalho de parto) ela procurasse a maternidade de sua preferência, uma vez que, sob o ponto de vista obstétrico, estava tudo bem", afirma o diretor.
Segundo o diretor, a gravidez era considerada de risco, porém, não havia qualquer citação a isso em exames anteriores. "Ela tem um cartão de pré-natal onde a gente observa algumas intercorrências. Ela provavelmente desenvolveu uma diabetes gestacional, o que acabou gerando um feto de grandes dimensões. Mesmo assim, ela não foi encaminhada a um pré-natal de risco. Assim, todos os atendimentos ofertados nos ambulatórios foram feitos por enfermeiros", afirma.
O delegado responsável pelo caso já solicitou à Justiça a exumação do corpo do bebê, que já foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). Segundo o 1º DP, o feto teria sofrido de falta de oxigenação. A mulher, entretanto, tenta entender o que teria provocado este problema e determinar se houve negligência médica.
O Hospital Regional de Itanhaém atende apenas pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele é administrado pelo consórcio intermunicipal do Vale do Ribeira (Consaúde), com recursos da Secretaria Estadual de Saúde.