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RJ: manifestantes pró e contra CPI dos Ônibus entram em confronto

Justiça negou nesta quinta-feira suspensão da 1ª sessão comissão na Câmara de Vereadores do Rio

22 ago 2013 - 13h57
(atualizado às 16h14)
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Manifestante é socorrido depois de ser agredido em ato na CPI dos Ônibus, no Rio de Janeiro
Manifestante é socorrido depois de ser agredido em ato na CPI dos Ônibus, no Rio de Janeiro
Foto: Reynaldo Vasconcelos / Futura Press

Um protesto envolvendo apoiadores e contrários à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro começou dentro da Casa e terminou em pancadaria generalizada nesta quinta-feira. Na primeira audiência da comissão, as galerias da Câmara se transformaram numa espécie de estádio de futebol, com manifestantes gritando "vendidos" e "milicianos" e outros "fora maconheiro". Ao sair do prédio, os pró-CPI agrediram um fotógrafo e um militante anti-CPI e ameaçaram jornalistas, dando início a um tumulto. 

Internamente, seguranças mandavam que manifestantes com máscaras descobrissem os rostos e retiraram à força uma delas, que usava máscara do vereador Chiquinho Brazão (PMDB), presidente da CPI. A presidente da Juventude do PMDB, Jessica Ohana, era uma das líderes de um dos grupos, apesar de se declarar apartidária. Do lado de fora da Câmara, o repórter cinematográfico da Band Sérgio Colonesi foi agredido por membros dos Black Blocs, que queriam impedí-lo de filmar.

Pela manhã, o pedido de suspensão da primeira audiência da CPI foi negado pela Justiça. A solicitação foi feita pelos vereadores Maria Teresa Bergher (PSDB), Eliomar de Souza Coelho (Psol), Paulo Pinheiro (Psol), Reimont Luiz Otoni Santa Barbara (PT), Renato Athayde Silva (Psol) e Jefferson Davidson Dias de Moura (Psol). Hoje serão ouvidos o atual secretário municipal de transportes, Carlos Osório, o seu antecessor, Alexandre Sansão, e o presidente da comissão de licitação que concedeu a licença para as empresas, Hélio Borges.

Cerca de 30 pessoas protestaram na porta da Câmara antes da primeira audiência da CPI que pretende investigar os contratos de licitação entre a prefeitura e as empresas de transporte. A Polícia Militar montou um cordão de isolamento no entorno do prédio do Legislativo. As galerias foram abertas e foi liberada a entrada de 120 pessoas, que receberam senhas para o acesso.

Muitos protestam no plenário com faixas e baratas de plástico, em alusão ao empresário Jacob Barata, dono de empresas de ônibus. Algumas dos manifestantes que ocuparam o plenário da Câmara até ontem estão presentes. No início da sessão, manifestantes gritavam e atrapalhavam os trabalhos. "Não vai ter pizza", diziam. Um deles jogou um sapato na mesa diretora e foi retirado do plenário. Ninguém foi atingido.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

 

Colaborou com esta notícia o internauta José Carlos Pereira de Carvalho, do Rio de Janeiro (RJ), que participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

Fonte: Terra
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