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RJ: manifestantes atiram moedas e interrompem sessão da CPI dos Ônibus

Segunda audiência para apurar possíveis indícios de cartel entre as empresas de ônibus da capital fluminense ocorre nesta quinta-feira

5 set 2013 11h56
| atualizado às 13h55
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Segunda sessão da CPI do Ônibus no Rio de Janeiro ocorre de forma tumultuada na Câmara de Vereadores
Segunda sessão da CPI do Ônibus no Rio de Janeiro ocorre de forma tumultuada na Câmara de Vereadores
Foto: André Naddeo / Terra

Mesmo sem a presença de Black Blocs ou de membros partidário de apoio da base do governo, a segunda audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus ocorre de forma tumultuada nesta quinta-feira na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Sem cobrir o rosto, cerca de 20 manifestantes contrários à CPI atiraram moedas nos vereadores - sem atingi-los -, proferiram gritos de ordem e interromperam em diversos momentos a sessão que acontece desde as 10h. 

"Essa CPI é uma farsa", dizia a faixa que os manifestantes carregavam, cantando, de costas para a plenária, aos gritos de "quadrilha, quadrilha", para o presidente da CPI, Chiquinho Brazão, e o relator, Professor Uóston, ambos do PMDB e da base do governo. 

Visivelmente irritado, Brazão pediu seguidas vezes para que os manifestantes se calassem. "Vocês aqui, numa minoria, não podem atrapalhar o esclarecimento à população", disse. O peemedebista ironizou os que protestavam contra a sessão ao afirmar que eles estavam ali para defender Eliomar Coelho (PSol), vereador que propôs a comissão, mas que se retirou dos trabalhos ao alegar que a CPI não pode ter presidência e relatoria nas mãos da base do governo. 

"O senhor Eliomar Coelho diz que tem conhecimento de todas as irregularidades do transporte do Rio de Janeiro. Este vereador que é defendido por manifestantes, se omite de trabalhar e dar as suas opiniões. Se ele tem essas informações, deveria estar aqui cobrando essas irregularidades", criticou Brazão. "A tropa é um espelho do comandante. E ele está ausente", completou. 

Professor Uóston, relator, também ironizou a deputada estadual Janira Rocha, também do Psol, que se envolveu em escândalo de cotização de salários de membros do seu gabinete, e foi afastada da presidência estadual do partido no Rio de Janeiro. "É isso aí, defendam mesmo eles", disse. 

Coelho foi substituído na sessão por Marcelo Queiroz (PP), após o vereador Reimont (PT), que teria direito a vaga, ter renunciado este direito ao segundo suplente da Casa. A comissão de inquérito, neste momento, é toda baseada em membros da base do governo. Atualmente, aliás, apenas oito vereadores formam oposição ao prefeito Eduardo Paes. 

O procurador-geral do município, Fernando Dionísio, o primeiro a ser questionado pelos membros da comissão, negou a realização de cartel por parte das empresas, fato comprovado, segundo ele, pelo Tribunal de Contas do Município.

Representante de consórcio depõe
Maximino Gonçalves, advogado e representante do Consórcio Santa Cruz (zona oeste, sem Barra da Tijuca e Jacarepaguá), afirmou em depoimento à comissão que o contrato com a prefeitura é de R$ 3,3 bilhões, válido por 20 anos. "Por essa razão de tempo maior que se consegue uma tarifa mais baixa, se o contrato fosse curto o valor teria que ser maior", argumentou. 

O advogado da empresa trouxe documentos que foram entregues à CPI. Logo depois, foi a vez do presidente da Rio Ônibus, Lélis Marcos, que também baseado em diversos documentos entregues aos vereadores, disse que esta é a "caixa preta" da regulamentação das empresas do ramo no município". 

Um único manifestante que permaneceu na galeria da Câmara disse que o ato foi "publicidade para uma CPI chapa branca". 

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas. 

Fonte: Terra
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