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RJ: vereador do Psol deixa CPI dos Ônibus após liminar ser revogada

29 ago 2013 16h09
| atualizado às 16h19
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O vereador Eliomar Coelho (Psol), do Rio de Janeiro, deixou nesta quinta-feira a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus, instalada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Ele afirmou que decidiu sair da CPI "porque a gente (oposição) tentou mudar a configuração da atual composição da comissão, mas nós não encontramos legitimidade nos membros que lá estão".

"Resolvi, depois de uma conversa com os companheiros, pedir a renúncia por não me sentir com a mínima condição de contribuir de forma efetiva para um encaminhamento correto dessa Comissão Parlamentar de Inquérito", disse Eliomar. A CPI havia sido suspensa pela Justiça no último dia 22, através de uma liminar, devido à proporcionalidade da comissão, que contava com apenas um vereador da oposição em sua composição - Eliomar. Porém, a liminar foi revogada ontem, permitindo que a comissão continue.

O vereador do Psol disse que não vai deixar de lutar por melhorias no sistema de transporte público da capital fluminense. "Isso não significa que a gente fica de braços cruzados. Nós vamos continuar trabalhando e mostrando, inclusive, que os encaminhamentos dados pela CPI são totalmente incorretos. Nós vamos mostrar isso na prática, em comparação com o trabalho que vai ser realizado por nós", afirmou Eliomar. "Nós temos um material aqui, vamos continuar trabalhando nesse material, vamos buscar mais informações, vamos tentar discutir com a sociedade um novo modelo para o sistema de ônibus na cidade do Rio de Janeiro."

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas. 

Fonte: Terra
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