RJ: há um ano sem bonde, Santa Teresa tem aumento de acidentes
- Cirilo Junior
- Direto do Rio de Janeiro
Um ano após o acidente com o bonde que matou seis pessoas e deixou outras 50 feridas, o bairro de Santa Teresa, na região central do Rio de Janeiro, convive com um novo temor relacionado ao transporte público. Com o serviço dos bondes interrompidos desde o triste episódio que marcou o bairro, ônibus e carros circulam em alta velocidade pelas estreitas e sinuosas ruas da região.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam que o número de vítimas devido a lesões culposas de trânsito na região do Centro, que inclui Santa Teresa, cresceu 1,6% no segundo trimestre deste ano, se comparados aos números observados em igual período em 2011.
"Sem os bondes nas ruas, os ônibus estão livres, leves e soltos para correr feito loucos. Santa Teresa é um bairro que tem uma topografia muito peculiar e perigosa. Se não tiver uma velocidade compatível com isso, é outra tragédia anunciada. Pelo fato de o bonde ser grande, eles tinham que respeitar os limites de velocidade, pelo risco de batidas. Hoje, não têm mais", afirmou a presidente da Associação de Moradores de Santa Teresa (Amast), Elzbieta Mitkievickz.
Os moradores pedem a instalação de radares para tentar inibir a passagem de carros e ônibus em alta velocidade. Segundo Álvaro Braga, diretor da associação, a prefeitura prometeu a implementação desses radares, mas o projeto ainda não foi tirado do papel.
A circulação dos tradicionais bondes em Santa Teresa segue suspensa. A promessa do governo é que o sistema de transporte voltará a ser utilizado somente em 2014, pois ainda não há consenso a respeito de qual estilo de bonde será adotado.
Um ano da tragédia
Na manhã desta segunda-feira, exatamente um ano depois do acidente com o bonde, os moradores de Santa Tereza protestaram. Eles responsabilizam o governo do Estado, responsável pela operação do bonde através da estatal Central. Representantes da Amast entregam na tarde de hoje ao Ministério Público Estadual dossiê no qual responsabilizam o secretário de Transportes do Rio, Júlio Lopes, por homicídio, lesão corporal e improbidade administrativa.
"É um absurdo ele seguir até hoje como secretário. Não dá para entender. Ele continua blindado, denunciam os operários da oficina, e ele continua lá. Não dá para entender, a população está muito indignada", observa Mitkievickz.
Com faixas de protesto pedindo a responsabilização de autoridades ligadas ao setor de transportes, e pedindo a volta dos bondes, os moradores fizeram orações e depositaram flores no local do acidente que matou seis pessoas. Uma placa com o nome dos seis mortos foi instalada no Largo do Curvelo, um dos pontos de parada do bonde.
O inquérito policial sobre o acidente foi arquivado, depois de técnicos responsáveis pela manutenção dos bondes terem sido apontados como responsáveis. Uma investigação segue em andamento na Procuradoria geral de Justiça do Rio de Janeiro.
EleiçõesO protesto teve a presença do candidato a prefeito do Rio, Marcelo Freixo (Psol), e do deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ). Freixo negou que sua presença na manifestação tenha sido motivada pela publicidade do protesto nos meio de comunicação. Ele alegou sempre ter participado de atos como o desta segunda-feira.
"Sou sempre convidado. Sempre estive nessas manifestações. São mais de 20 anos de militância, muito antes de ser deputado, de disputar qualquer cargo. Ninguém é aquilo que diz que vai ser, cada um é aquilo que fez de sua vida até agora. Fui convidado pelos moradores a estar presente. Tenho história de identidade dessas lutas", afirmou.