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RJ: ativistas optaram pela violência durante reunião, diz MP

Promotor apontou que uso de violência em manifestações tinha sido decidido em reuniões fechadas por grupos de ativistas

20 jul 2014
18h21
atualizado às 18h29
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O promotor da 26ª Promotoria de Investigação Penal do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), Luís Otávio Figueira Lopes, apontou que ativistas decidiam em reuniões fechadas as ações violentas em manifestações nas ruas do Rio. A indicação está no texto da denúncia encaminhada por ele na sexta-feira (18) ao juiz da 27ª Vara Criminal da Capital, Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau. Após o recebimento da denúncia, o juiz decretou as prisões preventivas de 23 ativistas.

<p>Antes da final da Copa do Mundo entre Argentina e Alemanha, manifestantes se reuniram próximo ao Estádio do Maracanã, palco da decisão, para protestar contra o Mundial</p>
Antes da final da Copa do Mundo entre Argentina e Alemanha, manifestantes se reuniram próximo ao Estádio do Maracanã, palco da decisão, para protestar contra o Mundial
Foto: Mauro Pimentel / Terra

De acordo com o promotor, com a intensificação das manifestações e com as ocupações em regiões da cidade houve a tentativa de unificação dos grupos com a criação da Frente Independente Popular (FIP), que, conforme o texto, era gerida por reuniões públicas e outras de natureza fechada, em que participavam as lideranças. “Nessas reuniões fechadas estabeleceu-se que o protesto pacífico não seria meio hábil ao alcance dos objetivos dos grupos, tendo sido, então, definido que deveria ser incentivada a prática de ações violentas no momento das manifestações, tais como a depredação de bancos, de estabelecimentos comerciais e o ataque a ônibus e viaturas policiais”, indicou o promotor no texto que a Agência Brasil teve acesso.

Ele disse que Elisa Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, pode ser identificada como uma das principais lideranças da FIP junto com Igor Mendes da Silva, Leonardo Fortini Baroni Pereira, Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, Camila Aparecida Rodrigues Jourdan, Felipe Proença de Carvalho Moraes, Luiz Carlos Rendeiro Junior e Drean Moraes De Moura Corrêa. O promotor indicou que esses ativistas foram responsáveis pela decisão de incitar os ocupantes do movimento Ocupa Câmara [na Câmara Muncipal do Rio em agosto 2013] a promoverem a queima de um ônibus, o que foi feito após a realização de uma das reuniões fechadas da frente.

O promotor atribui ainda a Elisa Quadros a orientação para incendiar o prédio da Câmara. “Também durante tal ocupação, Elisa Sanzi foi vista comandando manifestantes no sentido de carregarem três galões de gasolina para a Câmara Municipal, passando a incitar os demais manifestantes a incendiar o prédio, objetivo não alcançado em razão da intervenção de outros participantes dos atos, fatos apontados no depoimento da testemunha XXXXXXXX [não identificada no texto]”, informou.

Para ele, Filipe Proença de Carvalho Moraes, Camila Aparecida Rodrigues Jourdan e Pedro Guilherme Mascarenhas Freire desempenham função de direção na Organização Anarquista Terra e Liberdade (OATL), que se reporta diretamente à direção da FIP. “As atribuições de tal grupo incluem o planejamento dos atos violentos, bem como a preparação do material ofensivo a ser utilizado nos confrontos: coquetéis-molotov, artefatos explosivos, além de fogos de artifício alterados para adquirirem potencial lesivo, como, por exemplo, com a colocação de pregos em morteiros, posteriormente disparados em direção aos agentes de segurança pública”, destacou, indicando ainda que Felipe Frieb de Carvalho, Pedro Brandão Maia, Bruno de Sousa Vieira Machado, André de Castro Sanchez Basseres e Joseane Maria Araújo de Freitas “eram incumbidos de efetuar a distribuição de tal material, bem como utilizá-lo diretamente na agressão de policiais, muitas vezes disparando artefatos de dentro de veículos e fugindo em seguida”, apontou.

A ativista Camila Jourdan participava da elaboração de artefatos que eram disponibilizados para black blocs. Segundo o promotor, isso foi identificado em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça.

O advogado Lucas Sada, que faz parte da equipe de advogados do Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (IDDH) e defende André de Castro Sanchez Basseres, Gabriel da Silva Marinho, Luiz Carlos Rendeiro Júnior, Pedro Mascarenhas e Karlayne Moraes da Silva Pinheiro, avaliou que a denúncia do Ministério Público é falha e acrescentou que as acusações serão rebatidas durante o processo. “No momento oportuno a gente vai combater todas as alegações que estão sendo feitas”, informou em entrevista à Agência Brasil.

O advogado foi contratado também pelo Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro para defender a funcionária da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Joseane Maria Araújo de Freitas. Lucas Sada disse que conversou com ela e que a acusação apontada no texto é falsa. “Ela nunca produziu um coquetel-molotv na vida, nunca atirou um coquetel-molotov, nunca entrou em confronto com a polícia. Essa alegação é uma fantasia”, disse.  Amanhã (21) os advogados entrarão com pedido de habeas corpus dos ativistas que estão com prisão preventiva decretada.  

Dos 23 ativistas com prisão preventiva decretada, cinco estão detidos no Complexo Penitneciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste, e os outros são considerados foragidos pela polícia.

Agência Brasil Agência Brasil
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